quarta-feira, 28 de setembro de 2011

"Pirinés Épic Trail - 4º. Dia - Castejon de Sos - El Puent de Suert"

4º. Dia - Castejon de Sos - El Puent de Suert . 60 Kms - 2288m acumulado + - 2286m altitude.
O último dia da Pirinéus Épic Trail chegou e com ele, a etapa rainha deste espetacular percurso de alta montanha, que nos levaria, desta vez, aos 2286m de altitude, no "terrível" Collado de Basibé.
recordei então, o pequeno texto num dos cartazes promocionais desta aventura.
"Hay que venir dispuesto para afrontar las dificuldades que nos depara esta experiencia, porque la Pirinés Épic Trail, no es una ruta rodadora . . . los kms se ganam en cada pedaleada mientras el itinerario discurre por pistas de tierra, con descensos vertiginosos y subidas de infierno; por senderos de encanto, más o menos técnicos y por los altos pastos del Pirineo"
Já passava das 09h, como habitual, quando abandonámos o Hotel Pirineo para esta última etapa.
Fizémos os últimos dois kms do dia anterior, agora em sentido inverso, até que numa viragem à direita, entrámos num "terrivel" trilho, com muito mau piso no primeiro km e com umas paredes, que no meu gps chegaram a marcar 21%, obrigando-nos a um aquecimento rápido e com as pulsações a rondar o umbral anaeróbico.
Passadas as primeiras centenas de metros, a pendente suavisou um pouco e assim se manteve até ao pequeno povoado de Sos.
Passamos Ramastué e Eresué, para logo a seguir virarmos á direita para uma nova subida . . . Camino del Solano . . . que nos levaria a Plana Estall e Collado Galinero, com as nossas retinas em abertura máxima com as espetaculares vistas sobre o Maciço de Posets, Collado de Sahún e Chia.
Passámos a "Telesilla de Les Pillanes" e iniciámos a descida para o Collado Galinero. À nossa frente e ao fundo, Cerler, que mostrava as suas modernas construções, fruto da grande movimentação turistica na época em que as pistas estão abertas. À nossa frente, os Altos de Ixeia e Perdigueiro. Uma beleza!!!
Voltámos então à direita para entrarmos no Barranco del Ampriu e iniciámos um duro percurso em pedra solta, com uma descida por grandes pedras que nos fizeram dançar até ao ribeiro que desce da estação de ski.
Agora em trilho cheio de grama, com muitos regos e pequenos drops, chegámos à estação de ski de Cerler, em Ampriu, após penosa subida.
Visão magnífica sobre Posets, Barranco de Eriste, Tucas de Ixeia e Perdigueiro, sobrepuseram-se às que ainda tinhamos na memória, sobre a Barragem de Eriste e Vale de Benasque.
Era agora imperioso descansar um pouco, beber e comer algo mais sólido, pois a próxima meta seria o Collado de Basibé.
Olhámos para cima . . . e aí vamos nós, era a grande e última conquista desta fenomenal aventura.
Basibé, aí vamos nós!!! Terreno muito pedregoso e inclinações entre os 16% e os 22 %, na sua maioria, tendo como mínimo 13% e como máximo 27%. Foi esta a leitura do meu GPS!!! E, como diz o outro . . . o algodão não engana. Eu digo!!! As minhas pernas certamente não me enganam, pois estava a ver que entortavam. Chiça!!! E isto, durante cerca de 4 longos Kms e uma boa "litrada" de suor!!!
Mas tanto eu como o amigo Silvério, "muito lenta, lentamente", com o corpo a dizer "arreia" e o subconsciente a dizer . . . és capaz, calma!!! Escorregadela aqui, escorregadela ali, nas pedras roliças e em fases de grande inclinação, mas ambos conseguimos.
Foi um bom momento de conquista para nós. Fomos dos que conquistámos o Collado de Basibé. "En horabuena, cojonudos". eh eh eh!!! Tivemos também a sorte pelo nosso lado, pois um mau escorreganço e arrancar dali, já não era para mim!!!
Lá encima . . . a paisagem . . . Oh meu Deus!!! Isto não existe . . . como afirmava o Silvério.
Não havia palavras para descrever tamanha beleza!!!
Parecia estarmos nas montanhas de um dos filmes do "Senhor dos Aneis"!!!
Vegetação. Essa não existia áquela altitude, por isso lhe chamam os altos prados dos Pirineus.
Muito movimento sim, mas com muitas vacas e largas dezenas de cavalos selvagens (garranos) espalhados até onde a nossa vista podia alcançar, em pura liberdade.
Demos então início à descida por trilhos que não existem, orientando-nos por umas estacas vermelhas e pelo traço do gps.
Metade com a bike à mão e outra metade a pedalar, foi assim que chegámos ao Refúgio de Tumo, pelo Collado de Baciver.
A partir do refúgio, foi puro gozo até ao final. Para mim e a nível de trilhos foi a "Pérola do Pirinés Épic Trail"!!!.
Descida vertiginosa pelas "Bordas de Plana de Obarra" até ao Refúgio de Pastores que víamos lá ao fundo, com uma vista fabulosa sobre o Valle de Castanesa e do Rio Valiera.
Pouco depois de passar o rio, chegámos a Fonchanina, parando na fonte para beber àgua fresquinha e atestar o camelbag.
Continuámos em asfalto com uma subida com mais pendente e chegámos a Castanesa, onde parámos no Restaurante Ca de Graus e, "mandámo-nos" a um valente bocadillo e uma valente caña de jarra (caneca). Mal sabiamos nós o jeitão que isso nos iria dar.
Voltámos à direita e entrámnos num trilho que logo se transformou numa sequência de single tracks que nunca irei esquecer. Pura loucura!!!
talvez incentivados pelas cañas, foi a loucura total durante muitos kms, até chegarmos ao Collado de la Forca.
Estávamos perto de Vilaller e já nos faltavam poucos kms para o final.
Se o dia começara ameaçador com nuvens baixas, transformou-se depois em bonito e caloroso, porém, o final teria mesmo que ser molhado.
Uma valente trovoada descarregou sobre de nós e, em apenas meia hora, o tempo que demorámos a chegar a El Pont de Suert, presenteou-nos com uma valente molha até aos ossos. Estávamos nos Pirinéus, pois então!!!
Entrámos então numa pista denominada "Camino del Regancho" até chegarmos à ponte do Rio Ribera Ribagorzana, onde há quatro dias atrás deramos início a esta intensa aventura.
Senti uma alegria imensa por ter terminado esta aventura, mas, por outro lado, uma tristeza por ter que abandonar tão fantástico território, onde cada kms se conquista e cada imagem se cola na nossa retina. Mas, a porta não está fechada. Ainda lá hei-de voltar um dia. Quando . . . ainda não sei!!!
No final, fomos levantar o nosso merecido e "suado" jersey de finisher, que como diz o pessoal da Aramonbikes . . . ni se puede comprar, ni te lo regalan, se gana km a km, desde el primero al ultimo!!!
Em jeito de estatística, aqui ficam alguns dados:
- Kms 238
- Dias 4
- Acumulado 7347m + (segundo o meu gps)
- Fotos 1418
- videos 211 clips
- Total 1629 clics

Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos
. . . ou fora deles.
AC
Filme em breve.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

"Pirinés Épic Trail - 3º Dia - Plan - Castejon de Sos"

3º. Dia - Plan - Castejon de Sos - 59 Kms - 2018m acumulado + - 2024 m alt.
Saímos de Plan pela hora habitual, depois dum pequeno almoço à descrição e descemos a bonita rua do Hotel até à ponte sobre o rio Cinqueta, que iria ser o nosso companheiro durante muitos kms, onde o som provocado pelas suas águas, batendo na pedra, pelas diversas cascatas e correndo ao longo do seu estreito leito, eram música para os nossos ouvidos, aliado à exuberante beleza da vegetação das suas margens.
Voltámos a cruzar o rio para entrarmos em San Juan de Plan, percorrendo as suas castiças ruas empedradas e de forte inclinação, que nos fizeram disparar as pulsações, num aquecimento rápido e inesperado.
Entrámos na estrada para Gistain ás portas do bonito Vale de Chistau.
Pouco depois, virámos à direita e entrámos num estradão, sempre em subida, em direção a Biadós e Parque Natural Posets - Maladeta
.
O Rio Cinqueta, foi nossa companhia até Forcallo, onde o trilho piorou e aumentou a sua inclinação, talvez para merecermos o que se seguiria!!!
Após 830 metros de forte pendente, chegámos de novo ao paraíso, onde se encontrava o Refúgio de Biadós, onde fizémos novo controle de passagem com o nosso chip.
Ficámos simplesmente boquiabertos com deslumbrante paisagem.
Um lindíssimo vale "semeado" de pequenas casas de montanha ao longo dum bonito trilho de caras ao imponente Maciço de Posets . Que espetáculo!!!
Já dali não queriamos sair. Tinhamos chegado ao céu, apesar de ao longo das nossas vidas termos cometido algumas maldadezitas. teriamos sido perdoados!??!!
Mas tinhamos consciência que havia ainda muita beleza para ver, muita adrenalina para "gastar" e muitos e longos momentos de diversão com as nossas bikes.
Se as nossas digitais aquecessem com o volume de fotos, teríamos que as colocar no frigorífico, no final do dia e todos os dias.
Com alguma dificuldade, não física, mas por não querer privar a nossa visão de tamanha beleza, voltámos a descer para Forcallo, onde virámos à esquerda para um engraçado single track até à ponte de madeira, de novo sobre o Rio Cinqueta.
Do outro lado, esperava-nos um bonito trilho ao longo dum verdejante bosque, onde as vacas competiam com o arvoredo, pois eram às largas dezenas e enormes.
Numa viragem à esquerda, começámos nova subida em trilho pedregoso e com algumas passagens mais técnicas, ziguezagueando de vez em quando entre vacas que pachorrentamente ocupavam o trilho ora mordiscando a erva que o rodeava ou deitadas calmamente sobre o mesmo.
Durante cerca de 3 kms, foi uma constante, até que chegámos ao Collado, na Balsa del Abeto.
Paisagens incriveis, esperavam-nos, com a visão a sul sobre o majestoso Maciço de La Cotiella, a norte El Montó e Bachimala e a Oeste a Punta Suelza. Um espetáculo!!!
Estávamos a cerca de 1900 metros de altitude e ainda tinhamos que atingir o Puerto de Sahún, a 2224 m de altitude, onde faríamos um controle no Refúgio de Marradetas.
Seguiu-se uma rápida descida com bonitas vistas à nossa direita sobre o Vale de Chistau, onde se vislumbravam as povoações de Gistain e S. Juan de Plan, Embalse de la Escun e El Congosto de La Inclusa.
Numa curva arrematada, virámos à esquerda para um single track, onde durante cerca de 100 metros tivemos que carregar as bikes na travessia do rio, práticamente sem caudal nesta altura e subir uma pequena encosta, com escalões de madeira, para entrar no trilho que, aternando com uns "suculentos" single tracks, nos conduziu até ao Puerto de Sahún e Chia, com uma boa visão sobre o Collado de La Cruz e Barbaruens.
Chegámos ao Collado de Cozibirón e seguimos um largo estradão de "serrisca" até ao refúgio no Cerro Marradeta, que se encontrava fechado e onde efetuámos o controle com o nosso chip.
Espetacular panorama sobre o Monte Perdido e o Pico Aneto.
Voltámos então a descer, até entrarmos num bonito e técnico single track (PR-HU51), passando por uma fonte (Fuen Roya), já em direção a Vilanova.
Entrámos em Vilanova, através dum single track, com muitas zonas não cicláveis, cruzando a aldeia até à A-139, virando á esquerda, cerca de 600 metros, para efetuar novo controle no Hotel Casa Arcas.
Voltámos atrás e continuámos pela A-139 até à Ponte sobre o Rio Ésera, onde saímos para um trilho que nos levou até Castejón de Sós, final da nossa etapa e onde ficámos aojados, no bonito Hotel Pirinéos.

Fiquem bem

Vêmo-nos nos trilhos

. . . ou fora deles.
AC
Filme em breve.