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"Para descomprimir"

Aproveitando este intervalo, enquanto o S. Pedro enche de novo os depósitos, peguei na minha "asfáltica" e fui dar uma voltinha para descomprimir do stress causado pela "fome" de bike.
Manhã radiosa, apesar do vento e algumas nuvens, que no fundo, até acabaram por embelezar o céu com os seus pitorescos "castelos"
Meio preguiçoso, lá abandonei o "vale dos lençóis". Tomei calmamente o pequeno almoço, enquanto espreitava pela janela, com intuito de escolher uma zona menos nublada e de mais claridade.
Optei pela zona da Marateca, uma zona onde particularmente gosto de pedalar . . . pela beleza da paisagem que a envolve, com a cordilheira da Gardunha/Açor como pano de fundo, e também, pelas suas belas estradas panorâmicas, com destaque para a que ladeia um pouco a barragem, em direção a Tinalhas. Calma, estreita, bela e praticamente sem trânsito.
Eram 09h50 quando saí da minha garagem em direção aos Escalos de Baixo.
A estrada ainda molhada fazia-se sentir com a água a bater no corta vento, saída da roda traseira.
calmamente e em jeito de aquecimento fui dando uma mirada mais atenta pelas obras do lanço grande, tentando adivinhar o que por ali vai nascer.
Entretanto cheguei ao cruzamento no final da reta e virei à direita, para os Escalos de Baixo, continuando sempre ao mesmo ritmo, calmo e compassado, até que cheguei à aldeia.
Depois de a cruzar, continuei pela N352, que liga esta aldeia à "sua irmã" mais a norte, os Escalos de Cima.
A estrada já estava maioritariamente enxuta e o sol dava já um ar da sua graça.
Cruzei também os Escalos de Cima e no alto da Lousa, tomei o rumo à Lardosa, onde entretanto planeara tomar café.
E assim foi, depois de vencer esta distância e cruzar a via férrea, pela ponte, parei mais à frente no café, para o cafezinho da praxe e dois dedos de conversa com o dono do estabelecimento. Hoje, havia tempo para tudo. Não havia ninguém com pressa, nem corria o risco de estragar o treino a ninguém. Que maravilha!
Por outro lado, também já há muito tempo que não tinha uma conversinha "de pé de orelha" com a minha "ézinha". Lá lhe falei dos meus planos e do que esperava dela para este 2014.
A "gaja" nem me respondeu! Depois de pensar um pouco lá conclui . . . "quem cala, consente, lá diz o velho ditado! Por isso . . . não vai certamente haver nenhuma rejeição, de parte a parte. Venha de lá a primavera para "a gente" começar a atinar as "coisas!"
Estava eu com estes pensamentos de média/longa distância, quando cheguei ao paredão da barragem.
Fiz a paragem obrigatória de quando ando a solo e entretive-me um pouco a comtemplar aquela magnitude aquática, hoje com "mar crespo", como se diz na gíria marinheira.
Uma foto para registar o momento e toca a dar aos pedais, agora pela estradinha por onde gosto de pedalar e que já começa a ficar bem mais bonita, com as novas "vestes" de aproximação da primavera.
Os verdes já começam a surgir com mais intensidade e as árvores a preparar-se para a nova folhagem.
Cheguei a Tinalhas e junto à escola primária, virei logo à esquerda, não entrando na povoação, para um pouco mais à frente tomar uma posição mais aerodinâmica para bem gozar a descida à ponte sobre a ribeira, afluente do rio Ocreza, e porta de entrada na Póvoa de Rio de Moinhos.
Segui depois até Alcains e optei por contornar a vila, pela variante, de novo em direção aos Escalos de Cima.
Com a manhã a manter-se radiante, apesar do vento frontal, lá fui dando as derradeiras pedaladas em direção à cidade, onde cheguei pelas 12h15, com 64 kms pedalados de forma descomprimida, e hoje, um pouco mais atento ao que me rodeava.
Para abstinência forçada por razões pluviais, já chegava! É que com a idade, já custa um pouco mais a "sacudir a água do capote!"
 
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC

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