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"Passeio de Mota pela Galiza"

Mesmo com a meteorologia a contrariar aquilo que poderia ser uma bela viagem à sempre verdejante Galiza, 9 amigos com o gosto lúdico de andar de mota não se demoveram e avançaram para esta bonita aventura por terras "galegas"
Com o ponto de inicio no "escritório" do João Nuno para a dose cafeínica da manhã marcada para as 6 horas da manhã, a malta lá foi chegando.
Depois dos cumprimentos da praxe e do cafezinho tomado foi hora de partir rumo a Vila Nova de Cerveira, o final deste primeiro dia de aventura.
O dia prometia aguentar-se sem chuva e a Guarda foi a primeira cidade que nos viu passar.
Sempre em andamento moderado, a nossa pequena caravana lá ia devorando kms por bonitas estradas, algumas com bonitas panorâmicas.
Cruzamos imensas aldeias, vilas e cidades, destacando Trancoso, Moimenta da Beira, Armamar, Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião, Parada de Cunhos, Mondim Basto e cabeceiras de Basto, onde paramos para almoçar uma bela "posta", que estava deliciosa.
Depois do almoço animado continuamos a nossa viagem já com a chuva a prometer uma visita.
Passamos Vieira do Minho e em São Bento da Porta Aberta no sempre bonito Gerês e depois de passar a ponte sobre o Rio Caldo, fomos brindados com uma bela chuvada, que nos acompanhou até final.
Vestimos os fatos de água e continuamos por Covide, Arcos de Valdevez, Paredes de Coura e finalmente Vila Nova de Cerveira, onde chegamos já ao final do dia e ficamos alojados na Pousada da Juventude.
No dia seguinte, o dia prometia chuva e foi assim todo o dia, apenas com uma ou outra aberta.
O percurso era fabuloso, pela Costa da Morte, que apesar do trágico nome é um dos pedaços de litoral mais bonitos de toda a Península Ibérica.
Mas mesmo chuvosa e de céu cinza a região tem os seus atrativos.
Deixamos Vila Nova de Cerveira já depois das 9 horas e passamos a ponte sobre o Rio Minho para La Guarda e paramos no miradouro à saída da povoação para apreciar a beleza daquela costa marítima.
Seguimos para Baiona, uma cidade que respira mar, tradição e turismo.
Estacionamos as motos na entrada da Fortaleza de Monte Real, com intenção de passear um pouco pelo passeio marítimo, e dar uma mirada na Caravela "Pinta", que juntamente com o Santa Maria e Nina, descobriram a América sob o Comando de Cristóvão Colombo.
A chuva não nos permitiu este pequeno passeio e tivemos de nos contentar cum uma passagem pela Fortaleza de Monte Real e apreciar a soberba vista sobre grande parte da costa desde o parque do Parador.
Seguimos para Vigo uma cidade maravilhosa, mas que desta vez nos criou alguma dificuldade, pois com a passagem pelo túnel fechada, tivemos que cruzá-la por estreitas ruelas empedradas, com a chuva a complicar e o trânsito canalizado, num constante para arranca.
Depois da complicada passagem por Vigo seguimos para Redondela, onde paramos para almoçar.
Mais uns belos bifes para a maioria da rapaziada e um "Rodavalho" para mim e para o João Nuno, que até estava porreirinho.
seguiu-se Cangas, Marin, Pontevedra, Combarro, Raxó, Sanxenxo, Paxariñas, Cambados, Vilanova de Arousa, Catoira, Rianxo, Boiro, A Pobra de Caramiñal, Ribeira, Aguiño, Vixán, Porto de Son, Noia e finalmente Outes, onde ficamos.
A noite já tinha acontecido à um par de horas, a chuva não nos deu descanso e o jantar estava em risco pela hora de chegada.
Foi uma surpresa com a simpatia e disponibilidade com que fomos recebidos.
Rapidamente nos forneceu os quartos e apesar da cozinha já fechada para jantares, nos arranjou uns bocadillos, com acompanhamento de salada e batata frita que souberam que nem ginjas, bem regados por uma bela quantidade de "bjecas" para todos os gostos. Impecável este "amigo" do Hostal Montereal!
Acordamos bem dispostos, como sempre e depois dum modesto "desayuno" fomos tratar das motos para o terceiro dia desta aventura pelo litoral galego.
Abandonamos Outes e logo depois cruzamos Esteiro, continuando por Muros, Ézaro, CÈE, Concurbion e o esperado Cabo Finisterra (Fisterra), o local que os romanos, na antiguidade, pensavam ser o ponto mais ocidental da terra, e portanto, o mundo acabava ali.
Mas para nós, era apenas um ponto de passagem, bonito e o verdadeiro esconderijo da Costa da Morte: as suas paisagens agrestes e praias impressionantes.
Depois de uma demorada visita, seguimos para o Cabo Muxia, entranhando-nos um pouco pelo verde da Galiza rural, rodando por estradinhas panorâmicas e de beleza impar, com passagem pelo castiço "pueblo" de Lourido.
Ali encontramos o famoso Santuário da Virxe de la Barca, o monumento à catástrofe do navio Prestige (A Raxa) e a badalada Pedra d'Abalar.
Paisagens idílicas sobre a Costa da Morte e aquele bonito local de peregrinação, prenderam-nos durante algum tempo.
Mas o nosso destino nesse dia era Santiago de Compostela e havia que aproveitar o bonito dia solarengo, bem diferente dos anteriores.
Depois dum frugal almoço com uns belos "bocadillos" em Muxia, rumamos a Os Muiños e depois de cruzarmos Laxe, Neaño, Malpica de Bergantinos, Arnados e Arteixo, chegamos à impressionante cidade de A Coruña, por onde entramos pelo seu famoso passeio marítimo.
Cruzamos a cidade pela orla marítima e saímos em direção a Santiago de Compostela, cruzando ainda Ordes e Sigueiro, antes de entramos para o Parque Galicia onde estacionamos as motos até ao dia seguinte.
Cruzando a rua, à saída do parque, estávamos logo no casco histórico de Santiago com as suas ruelas pitorescas. Contemplar toda aquela riqueza arquitetónica é deveras fascinante.
Chegamos à Pensão onde ficamos alojados, a cerca de 150 metros da catedral. Foi o final de um dia maravilhoso, onde passemos por uma das mais interessantes zonas da Costa da Morte e um pouco pela Galiza rural, por bonitas estradinhas e caminhos alcatroados rodeados de bonitos verdes e acastanhados.
Depois da "tralha" arrumada e do banhinho da praxe, fomos beber umas cervejinhas num bar logo ali ao lado. Depois saímos para jantar passeando pelas típicas vielas repletas de bares, restaurantes, acabando por escolher, mais uma vez, um bar de "tapas, raciones y bocadillos". Nada mal, ficamos satisfeitos.
Seguiu-se uma sessão com mais liquidez (cervejinha da boa) e como no dia seguinte ainda haviam 500 kms para percorrer, fomos recuperar um pouco.
Chegamos ao último dia desta aventura, o dia do regresso a casa.
Saimos da imponente cidade de santiago de Compostela, entrando na N.525, que seguimos até Ourense, com passagem por Silleda, e Lalin.
Aqui tivemos um pequeno contratempo com a policia a não nos deixar continuar para Verin, por a estrada estar cortada com a passagem duma prova velocipédica.
Fizemos algum tempo numa bomba de gasolina e fomos um pouco mais à frente apanhar a estrada que nos levou a Xinzo de Limia e Verin, onde viramos á direita, agora rumo a Chaves.
Passamos a fonteira, em Feces de Abaixo e logo a seguir em Vila Verde da Raia, paramos para almoçar.
Já estávamos em Portugal e a meio da viagem de regresso a casa. Seguimos para Valpaços, Mirandela, Vila Flor, Pocinho e Guarda, terminando esta nossa aventura, tal como começamos, com uma visita ao "escritório" do amigo João Nuno para uma derradeira cervejinha, a chamada "abaladiça".
Despedidas feitas e regressamos, cada um a sua casa, depois de mais uma aventura de mota, que nos levou durante 4 dias pela assombrosa e recortada Costa da Galiza, com regresso pela fenomenal cidade de Santiago de Compostela.
Fomos nove amigos que nos aventuramos nestes belos 4 dias de moto, enfrentado chuva e forte vento em dia e meio de viagem, e sol e paisagens radiantes nos restantes dias.
Divertimo-nos e conhecemos outras gentes e outras paragens, regressando tal como abalamos. Amigos e com vontade de novas aventuras.

Fiquem bem
Vemo-nos na estrada, ou fora dela.
Beijos, abraços e apertos de mão.
Inté

AC

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