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GR.113 - 3º Dia - Huertapelayo-Chillaron del Rey"

Depois de uma noite descansadinha, também graças à "bombona de vino" do amigo Bienvenido e da "tortilla e chouriçitas de Doña Celia", levantamo-nos "muy temprano" como sempre para preparar-mos as bikes e darmos início a mais uma etapa de plena aventura, agora em direção à magestosa Alcarria e seus profundos e férteis vales de beleza ímpar.
Abandonamos aquela pacata aldeia cruzando o "Arroyo de la Vega" dando início à longa subida, suavisada com a soberba paisagem sobre "Las Quebradas", uma visão única, magnífica e que nos foi dando alento neste início de etapa.
Como quem sobe, também desce, a regra manteve a tradição e, depois da subida veio a descida até Hundido de Armillones, onde seguimos por um single track até ás ruinas da "Puente del Pontón", onde paramos um pouco para descansar e dar uma mirada naquele bonito e inóspito local.
Quase sempre em single track, que na parte final se fundiu com o GR.10, chegamos a "Valtablado del Rio", uma povoação quase abandonada e cuja fonte na minuscula "plaza mayor" se encontrava seca.
Fomos recebidos por metade da população, um simpático casal de idosos, que nos informou de que não havia água na fonte e nos cedeu água fresquinha. Uma simpatia!
Deixamos a aldeia por asfalto e um par de kms mais à frente, depois de cruzar a ponte sobre o Rio Tejo, fletimos à esquerda para um estradão, que sempre em sentido ascendente los levou até "Oter".
"Oter" é outra pacata aldeia onde não se passa nada, nem uma fonte havia para atestar os bidons.
Valeu-nos a informação de um indivíduo que encontramos que nos disse que havia um pequeno bar comunitário e que batêssemos à porta.
Assim fizemos, mas nada. Entretanto lá apareceu o indivíduo que tomava conta do bar, vindo da horta no seu jipe e que se prontificou a abri-lo para que pudessemos beber algo fresco.
Aproveitamos e bebemos um par de "mahou's" bem fresquinhas.
Também nos disse que se quiséssemos esperar pela esposa, que esta nos arranjaria algo que comer.
Mas, agradecemos e declinámos o simpático convite. Contávamos ainda com o "bocadillo" da Dª. Célia e pretendíamos ganhar tempo e kms. E ainda bem que o fizémos, pois nem sabíamos o que nos esperava!
Abandonamos a aldeia por um bonito "sendero" para cerca de um quilómetro mais à frente nos depararmos com a agreste serrania que teríamos que atravessar e que pelo aspeto do trilho, nos levou logo a prever que não era muito ciclável.
Mandou o bom senso procurar uma boa sombra e atacar o "bocadillo" da Dª. Célia, o que fizemos de bom grado.
Já satisfeitos, iniciámos aquela duríssima travessia das serranias de "Oter", com a temperatura a situar-se na ordem dos 40/42 graus. Foi um verdadeiro teste à resistência e capacidade de sofrimento. É nestes momentos que temos a real perspectiva do nosso real valor. E isso, torna-nos mais fortes e mais humanos na avaliação do nosso semelhante.
Foram sete horas para percorrer 33 kms. Ufa!!!
Passada aquela dura adversidade, entramos num estradão que logo se transformou num bonito single track até "Carrascosa  de Tajo", onde paramos apenas para atestar bidons na fonte local.
Seguimos viagem, agora em direção a "Trillo" a povoação seguinte e onde pretendíamos almoçar.
Chegamos àquela bonita vila, por um soberbo single track, sempre ladeando o Rio Tejo.
"Trillo" é uma típica aldeia da Alcarria, banhada pelo ainda jovem e cristalino Rio Tejo, onde a paisagem e o campesinato se reúnem num ambiente robusto e austero.
O Rio Cifuentes, afluente do Tejo, foi nosso companheiro, com o suave sussurro das suas águas que brotavam duma bonita cascata, a ladear a esplanada do restaurante onde "absorvemos" umas maravilhosas "aluvias con chouriço y unos filetes de ternera" acompanhados, como sempre" pelas amareladas "cañas".
Que local acolhedor, mesmo a jeito para uma retemperante  sestinha pós-almoço. Mas tal não era possível. Havia que continuar.
As maiores dificuldades já tinham ficado para trás, com a travessia das inóspitas e selvagens paragens do "Alto Tajo". Estávamos já a entrar na Alcarria. Mais branda e mais rolante.
Depois de uma breve subida, entramos num fantástico "sendero", onde a pedra se tornou rainha já na parte final e que nos conduziu pela meia encosta de uma zona escarpada com uma maravilhosa visão sobre o "Embalse de Valdepeñas", até que Chillarón del Rey começou a aparecer no nosso horizonte visual.
Era ali que tinhamos que arranjar alojamento, pois o dia caminhava rapidamente para o seu final e chegar à aldeia seguinte, já era um risco que não queríamos correr.
Na aldeia procuramos alojamento, pois sabíamos haver por ali uns alojamentos de top rural.
No único bar/restaurante da povoação indicaram-nos o André, depois de uma tentativa falhada com outra casa, por telefone.
Lá apareceu o André, um "pachorrento" indívíduo, quer na forma de falar, quer na forma de agir, mas que simpáticamente nos disponibilizou alojamento numa casa, só para nós e a preço bem acessível.
Depois do banhinho retemperador, fomos em busca da "comezaina" e demos bem conta do recado!
Comemos bem e bebemos ainda melhor. Mesmo o que precisavamos naquele momento, pois a dormidinha e o descanso já estavam afiançados. Venha de lá outro dia, duro ou não, que este já está no papo!
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC

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