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GR113 Dia 2 - Peralejo de las Truchas - Huertapelayo

Este segundo dia, foi bastante duro, não só pelo dureza do terreno, mas também pelo imenso calor com que fomos confrontados, chegando o termómetro aos 43º.
O próprio Rio Tejo e o da Hoz Seca, foram algumas das nossas fontes, além das apetecidas "cañas" sempre que a oportunidade surgia.
Logo pela manhã ainda cedo, saímos do Hostal  El Tajo, onde fomos bem recebidos, alimentados e desidratados, não a "caña con limon", mas desta vez a fresquinhas e apetecíveis carlsberg. Um bom "olhinho" delas.
Procuramos uma fonte que nos foi indicada, junto à igreja e depois dos bidons atestados fizemo-nos à estrada, para umas centenas de metros mais á frente entrarmos no primeiro single do dia.
Junto ao parque de campismo de "La Serrada" a GR contornava o parque e seguia junto ao rio, mas não conseguimos passar no limite do parque pela densa vegetação e por este estar inundado.
Voltamos atrás e seguimos por asfalto até à Puente del Martinete entrando seguidamente num trilho espetacular ladeado de enormes falésias calcárias depois e passearmos os olhos pelo imponente escarpado denominado "El Escaleron". Simplesmente impressionante.
Ainda não recuperados das brutais paisagens por onde o Rio Tejo serpenteava entre inóspitas escarpas rochosas e profundos desfiladeiros, deparamos com uma viragem à esquerda e a pendente subiu de tal forma, que parecia irmos em direção ao céu . . .mas não. Íamos em direção ao brutal desfiladeiro de "El Horcajo. Brutal e com uma visão arrebatadora.
Era justo pensar que estávamos num mundo surreal, mas a chegada ao "Embalse de la Taravilla", uma bonita bacia hidrográfica de águas limpidas e cristalinas devolveu-nos à realidade. Aproveitamos o pequeno parque de merendas para comer algo e comungar aquela soberba paisagem natural.
Abandonamos aquele prazenteiro local em sentido descendente e ao chegarmos a uma pequena área recreativa, onde cruzamos o rio por uma ponte suspensa, que nos puxou um pouco pela adrenalina.
Aquilo balançava um pouco, e entã a pé, nem vos digo!
Passada a ponte foi curtir por um bem divertido single track até ao Salto de Póveda, um pequeno núcleo rural, onde outrora fora uma antiga central hidroelétrica. Hoje é uma área de lazer e de turismo rural.
Ali tomámos um cafézinho no bar local e seguimos caminho em direção à Ponte de Peñalen uma bonita ponte que remonta à época medieval e que cruza o rio numa zona incrível de bonitos desfiladeiros com as suas águas de cor turqueza.
Depois de apreciar aquela bela construção medieval continuamos sempre em estradão, em constante sobe e desce passando por alguns locais de descanso e apoio ao caminhante, mas que encontramos fechados, segundo em direção à Ponte de S. Pedro.
A passagem e a visão daquela rocha marcada pela erosão, com uma figura surreal a que chamam "Aguja Cierro del Pie Gordo" é simplesmente brutal.
Antes de chegarmos à Ponte de S. Pedro, a fominha já ditava as suas regras e a subida a Zaorejas foi inevitavel. Sem comida e quase sem água e sem saber onde poder comer e conseguir água, obrigou-nos ao grande sacrifício de vencer a longa subida a Zaorejas, a que eu já chamaja "Zéorelhas". Foi a decisão acertada, pois ali encontramos boa comida e umas belas canecas de fresquinha "caña con limon" no restaurante do Hostal Honz Martinez, onde abancamos na sua pitoresca esplanada.
Não foi fácil sair dali. O rabinho já não queria largar a cadeira e o corpinho já quase que dizia baixinho . . ."mais não, já chega para hoje!!!"
Mas esta rapaziada do cicloturismo de aventura também é rija como o catano e desistir não está no seu horizonte. Só à traição!!!
Lá descemos ao encontro do traçado da GR e fomos então até S. pedro onde a malta já se banhava naquelas limpidas e cristalinas águas do Rio Tejo.
Apesar de bastante apetecível, resistimos à tentação, e como castigo, tivemos que fazer a longa e dura subida a Villar de Cobeta, um minusculo povoado onde não se passava nada.
Descobrimos uma fonte, onde atestamos os bidons e avistamos uns garatujos a dizer BAR.
para ali viramos logo o azimute, mas depressa abandonamos o local. aqulilo parecia um antro espiritual de macumba. vários amuletos pendurados em tudo o que era sítio grafitties por todo o lado, um rádio em altos berros pendurado numa latada e um ambiente esquisito. Nah!!! Toca mas é a dar á sola antes que que venha de lá algum quebranto!
Até Buenafuente del Sistal acho que nem olhamos para trás.
Buenafuente del Sistal é um pequeno lugar de retiro no deserto humano que é "la Guadalajara del Alto Tajo" e que dá o nome ao imponente "Monastério Cisterciense de la Madre de Dios".
Abandonámos aquele bonito e religioso local pelo trilho da via sacra.
Terminado este belo trilho, cruzamos o asfalto e lançamo-nos numa longa descida até que numa viragem á direita seguimos o caminho com a indicação da "Ermita de la Virgen de los Santos".
O meu irmão Luís desceu a visitar o local e eu, aflitinho, isolei-me no meio do mato para uma descarga fisiológica, que me deixou bem mais aliviado e prontinho para o que ainda estava para chegar e que eu ainda não sabia.
Foram 3 ou 4 kms de dura ascensão num terreno de forte inclinação, onde uma máquina tinha andado a criar caminho, ou simplesmente alargar o existente. Já deitava fumo pelas orelhas, mas o orgulho e a teimosia não me deixou desistir.
No final fomos compensados com um belo estradão em sentido descendente que terminou num delicioso single que aos poucos se foi transformando num inferno e muito pedregoso até chegarmos á espetacular ponte de Taguenza. Uma jóia no meio de nenhures. Brutal.
Brutal foi também depois as largas centenas de metros que tivemos de empurrar bike e bagagem serra acima entre pedras e muitos escalões, onde o suor já escorria como se chuva quente fosse.
Esta foi uma experi~encia que nunca mais vou esquecer, mas que ainda assim, não chegou para me vacinar.
Acho que estou cada vez mais viciado em adrenalina e, tal como no colesterol, há o bom e o mau, na adrenalina creio que se aplica a mesma regra. eu sou viciado na boa!
Lá no alto, a visão era soberba, encostado à paliçada do miradouro duramente conquistado, enchi os olhos de beleza e a alma de tranquilidade. Nada de bom se consegue sem o adequado esforço. Este foi um desses casos.
Saímos dali por um delicioso single até ao estradão, onde mais uma dúvida de pôs . . . e agora!
O final do dia aproximava-se rápidamente e a próxima povoação estava a muitos kms de distância. Parecia que era desta vez que tínhamos que armar a tenda, por ali, no meio de nenhures e num abiente completamente selvagem e desprotegido . . .mas aventura era aventura e já íamos preparados psicológicamente e com tenda e saco cama, para essa eventualidade.
Uma placa no local indicava Huertapelayo a 1.8kms e resolvemos retroceder aquela distãncia até à povoação em busca de dormida e comida.
Quando ali entramos parecia que não se passava nada. Aldeia tranquila sem ninguém à vista, até que encontramos um morador a quem perguntamos se por ali havia algum hostal, pension, um bar, ou algo assim.
Disse-nos que não, mas para procurarmos o Bienvenido que talvez tivesse algo.
Pois bem, encontramos o Bienvenido um simpático individuo que de fato tinha um casa inserida no Top Rural e que costumava alugava.
Lá negociamos a casa e o jantar e mais uma vez, vimos a sorte pender para o nosso lado.
Uma belíssima casa só para nós, equipada com tudo, mas nós, apenas precisávamos de cama e onde comer. Ficou agendada a "cena" para as 20h00.
Tomámos o banhinho retemperador, lavamos a roupinha suja e pusemo-la a secar nas costas de cadeiras, encostadas aos aquecedores a óleo, que entretanto ligamos e bora lá jantar.
sentamo-nos um pouco à conversa com o Bienvenido num portunhol mais ou menos perceptível quando ele disse que era polícia aposentado. Estava lançada a base para uma noite memorável de boa conversa e melhor gastronomia, quande lhe disse que também era polícia aposentado.
Depois da belíssima sopa castelhana, da fantástica tortilha, e digo fantástica, porque nunca tinha comido uma tão saborosa tortilha. Uma saladinha mista e bom pãozinho com azeitonas e umas belas cerejas em jeito de "postre", foi um regalo.
O já nosso amigo Bienvenido, foi então buscar uma "bombona de vino" e disse á esposa, a Célia, para ir buscar uns chouricitos.
Ui, Ui, com o belo vinho da vinha particular de um amigo do Bienvenido e com a ajuda dos chouricitos da Dª. Célia, não me lembro em tempo algum, em tierra de nuestros hermanos, de falar portunhol de forma tã fluída. Uma daquelas noites que vão perdurar na memória. Já quase fazíamos parte da família.
O Bienvenido já dizia que se necessitássemos algo, nos ia buscar com o velho land rover cheio de amolgadelas que tinha estacionado nas imediações.
Mas estava na hora de dormir, pois no dia seguinte, outro empeno nos esperava.
Antes de nos despedirmos daquele simpático casal, a Dª. Célia preparou-nos ainda um belo bocadillo para cada um, com tortilha e chouriço e um par de maçãs, para que não passássemos fome no dia seguinte, que se avizinhava de grande dureza.
Ficamos amigos do Bienvenido e Dª. Célia e um dia que por ai passe, ou nas imediações, irei certamente fazer-lhes uma visita.
Depois das verificações da praxe, de virar a roupa nas cadeiras para enxugar melhor, por baterias, gps e telemóveis a carregar, foi horinha do ó-ó!!!
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC

Comentários

Pinto Infante disse…
Ao ler e ver a "irmandade" junta, fico todo baboso e parece-me que desfrutaram de momentos único e mágicos...
Um grande abraço
Pinto Infante

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