terça-feira, 5 de novembro de 2013

"Rota dos Castelos"

A convite do amigo João Valério do Grupo Zona55 Biketeam fui este fim de semana participar no passeio denominado "Rota dos Castelos".
Era para fazer equipa com o Zé Luís, mas por desistência de última hora, acabei por ir sozinho.
O evento ocupava o fim de semana com duas etapas. Uma que ligaria o Gavião a Constância e outra, num percurso circular, com partida e chegada naquela vila.
Saí de casa no Sábado pelas 06h30 e rumei a Constância, o local de concentração para este bonito passeio.
Logo à chegada encontrei o João Valério na azáfama do secretariado e preparação do pequeno almoço para os participantes.
levantei o meu dorsal, arrumei a viatura num parque próximo e fui calmamente tomar o pequeno almoço.
Entretanto chegou a equipa da Revista Freebike, composta pelo Gonçalo Freitas e Bruno Pires, a quem me juntei para este fantástico fim de semana de btt.
O tempo foi passando e chegou a hora de carregar as bikes num camião TIR que bem acondicionadas, as transportou até ao Gavião, o local de partida para este primeiro dia.
Os participantes seguiram num autocarro para o mesmo local.
Já na posse das nossas bike, foi dada a partida, com um pequeno interregno para um cafezinho gentilmente oferecido pelo Clube de Btt  Gavionense.
Eu, o Gonçalo e o Bruno, resolvemos tomar café mais á frente e seguimos o percurso, com passagem por Cadafaz e depois de pedalarmos por uns trilhos bem catitas, descemos à ponte sobre o Rio Tejo,  entrando no trilho do PR4, que nos levou até Belver.
Com uma bonita panorâmica sobre o Rio Tejo, Belver "é uma vila acastelada, debruçada sobre o Tejo, terra de olivais e vinhas em socalco. Plantada em solo beirão, mas "namorando" o Alentejo a que está ligada por uma ponte rodoviária sobre o rio, construída em 1905." (in Belver.org)
Ali tomámos o cafezinho matinal e seguimos para a Torre Fundeira, descendo ao paredão da barragem por um fantástico single track que nos deixou a transpirar adrenalina.
Passámos para a outra margem pelo paredão, fomos até à Casa Branca e pouco depois, passámos por Alvega, onde entrámos no bonito trilho da Rota da Água, com passagem junto à Estação Termoelétrica do Pego e final no Rossio ao Sul do Tejo.
Parámos no Parque Áquapólis e comemos umas bifanas acompanhadas por umas "jolas" no Bar Sasha Riva.
Já com o estômago aconchegado e com as forças retemperadas, passámos para a outra margem, atravessando a ponte para Abrantes.
"Abrantes foi de suma importância militar, sobretudo na época da Reconquista e durante as Invasões Francesas, como ainda hoje nos conta o seu Castelo.
A sua localização fez igualmente com que Abrantes fosse um importante porto fluvial estratégico no comércio tradicional, com destino a Lisboa, até aos anos 70."(in Guia da Cidade)
Subimos ao castelo e fizemos uma passagem pelo Parque de S. Lourenço, com uma breve paragem para o cafezinho e descemos à Abrançalha de Baixo.
Sempre em andamento descontraído e em amena cavaqueira aproximámo-nos um pouco mais do rio, à passagem por Rio de Moinhos, fazendo depois um desvio até à A23, para entrarmos finalmente em Constância após 75 kms de bonitos e divertidos trilhos.
Arrumámos a bikes, que ficaram na viatura da Freebike e fomos tomar o banhinho retemperador.
Como a dormida era em chão duro no Pavilhão dos Bombeiros Voluntários, deixámos logo os sacos cama prontos para nos acolherem mais tarde e fomos dar um passeio pela zona perto do rio enquanto não chegava a hora do jantar, no Restaurante Trinca Fortes, que naquele dia apenas funcionava para a malta da Rota dos Castelos.
Bebericámos um par de minis num café situado numa das bonitas praças da vila e fomos até ao restaurante, onde jantámos calmamente e em ambiente festivo.
Regressámos depois ao quartel dos bombeiros para uma noite mal dormida, pois outra coisa não se podia esperar. Durante toda a noite, aquilo mais parecia o "festival dos roncadores", ou se lhe quiserem chamar . . . tocadores de narina com acompanhamento bocal!!!
 

O segundo dia amanheceu algo cinzento e um pouco frio, pois no dia anterior tinha caído um pequeno aguaceiro depois da hora de jantar, mas depressa se dissipou.
Arrumámos a trouxa e fomos tomar o pequeno almoço.
Preparámos as bikes quando já algumas equipas se punham a caminho.
Ao darmos as primeiras pedaladas, a bike do Bruno começou a negar-se. Um dos rolamentos do eixo pedaleiro começou a desapertar-se criando pressão no crank, pelo que era impossível continuar assim.
Já com toda a malta nos trilhos, nós ainda esperávamos que a carrinha da assistência nos viesse auxiliar com uma ferramenta que desse para apertar o rolamento.
O problema foi resolvido com um bom aperto com uma chave de grifos.  Iniciámos finalmente a segunda etapa.
Passámos a ponte para o outro lado do rio e logo depois entramos praticamente nos trilhos.
Uma boa e técnica subida, levou-nos até ao Falagueiro, onde o João Valério também estava a braços com uma avaria no travão de trás da sua bike.
Resolvido temporariamente o problema, seguimos todos juntos durante alguns kms e parámos na Linhaceira para o cafezinho da manhã.
Ainda com as duas equipas juntas, continuámos por Macieiros, Portela e depois de passar por uma represa sobre o Rio Nabão, subimos um pouco, para entrar numa bonita e adrenalínica trialeira que, acompanhando o Rio Nabão, nos levou até à sua foz.
 Ladeámos o Rio Zêzere até ao paredão da barragem do Castelo do Bode e parámos lá no alto, sobre o mesmo paredão, para apreciar a bonita panorâmica daquela enorme bacia hidrográfica.
A partir daqui a malta foi-se separando e encontrando amiudadas vezes, assim como com outras equipas que seguiam descontraidamente, tal como nós.
Passámos Torre de Baixo e Fortes, antes de uma breve paragem para apreciar a bela ponte romana de Chocapalhas, bem perto da barragem do Carril, onde também fizemos uma pequena paragem.
Seguiu-se as casas do Além, Calçadas e Quinta da Lagoa, para entrarmos num dos belos trilhos do dia, o fantástico single track do Rio Nabão, que nos levou até à templária cidade do Tomar, onde entramos pelo bonito jardim da cidade.
"A Cidade de Tomar é a casa de alguns dos locais históricos mais significativos de Portugal. O Convento de Cristo era a sede medieval dos carismáticos Cavaleiros Templários e, consequentemente, da Ordem de Cristo. O Infante D. Henrique planeou aqui, no século XV, a maioria das suas explorações ao Novo Mundo. Em 1983, Tomar foi justificadamente designada como Património Mundial da UNESCO, pela sua importância na história portuguesa e na cultura cristã." (in PT Tomar Portugal)
Almoçámos num modesto restaurante e subimos ao Convento de Cristo que apreciámos em andamento, seguindo para o majestoso aqueduto de Pegões.
Depois de algum asfalto, fizemos um desvio para os trilhos, para passarmos por Porto Mendo  e Beselga, subindo aos Moinhos da Pena onde se pode apreciar uma fenomenal panorâmica sobre os vales, pejados de povoações e longas serranias.
Aqui entrámos num dos locais onde me "babo" a pedalar, a brutal Serra de Aires e Candeeiros e os seus trepidantes trilhos calcários.
Foi apenas um pequeno lamiré, mas deu para recordar outras grandes aventuras que ali fiz na companhia de alguns amigos.
Descemos ao Pafarrão e seguimos para Torres Novas, em busca do quarto, dos cinco castelos que compunham o evento.
"Torres Novas é uma bonita cidade Portuguesa do Distrito de Santarém, sede de concelho, situada bem na região Centro do País, é atravessada pelo agradável Rio Almonda, e emoldurada pelo fantástico Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros".  "(in guia da cidade)
Ladeamos uma das muralhas do castelo e cruzámos o bonito jardim central, tomando o rumo à Meia Via, porta de entrada no Entroncamento a cidade ferroviária.
Saímos da cidade pela zona do parque desportivo e passámos pela Atalaia, Moita do Norte e Vila Nova da Barquinha, onde delirámos com os bonitos trilhos à beira rio até Tancos, com destaque para o ondulante trilho da lampreia.
Em Tancos, fizemos a passagem junto ao último castelo do dia, o de Almourol e para mim, o mais bonito pela imagem criada ao cair do dia. Espetacular aquele por do sol sobre o rio.
"Prédio Militar nº.6. Nem mais, nem menos. Por muito estranho que possa parecer, é esta a denominação toponímica e cartográfica do Castelo de Almourol, conquistado por D. Afonso Henriques aos mouros e com histórias mil para contar. A explicação é simples. Afinal de contas, trata-se de uma propriedade do Exército português, inevitavelmente incluída nos roteiros turísticos nacionais e de além - fronteiras." (in Rotas e Destinos)
A partir daqui, continuámos quase sempre por single track até à Praia do Ribatejo, onde a prudência do Gonçalo se impôs ao ligar o farol que trazia acoplado na sua bike e que nos alumiou praticamente o caminho final até Constância, após 101 kms, num percurso circular, que começara logo pela manhã naquela vila onde então tínhamos chegado.
Expresso aqui os meus agradecimentos ao Gonçalo e ao Bruno da Freebike, por me aceitarem na sua equipa e sobretudo, pela excelente e animada companhia ao longo destes dois dias de aventura que culminou com 176 kms pedalados por belos vales e cabeços, com fantásticos trilhos e fabulosos single tracks.
Também um agradecimento especial ao João Valério em representação do staff do Grupo Zona 55 Biketeam pela organização deste passeio.
Quanto à minha opinião . . . para o próximo ano não se livram de mim, vão ter que me gramar outra vez!!!
 
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles
AC

1 comentário:

Silvério disse...

Bom dia António,
Parabéns por mais um passeio de BTT de grande nível no teu portefólio e pela reportagem que, mais uma vez, me permite satisfazer o "bichinho", como acredito que acontece com todos os apaixonados por esta modalidade e visitantes deste blog. Relevo também a divulgação de bonitos lugares do nosso país que, a não ser assim, não sairiam do anonimato para muitos de nós.
Abraço
Silvério