segunda-feira, 22 de outubro de 2007

"III Trilhos da Raia"

Pensamento:

"Nenhum poder humano consegue forçar o impenetrável reduto da liberdade de um coração"
(Fénelon)
.o0o.
Era com alguma expectativa que aguardava este "III Trilhos da Raia".
Tinha estado presente no "I" e dele tinha guardado muito boas recordações.
Entretanto, tudo mudou um pouco. Essa altura coincidiu com a fase em que eu comecei a dedicar-me um pouco mais ao btt, em detrimento da "asfáltica".
Hoje, um pouco mais conhecedor do meio, fui conquistando novas amizades nos meandros da "modalidade" e desde então, "apaixonei-me" pelo btt, na sua vertente lúdica e de puro lazer.

Acompanhado de Castelo Branco pelo meu amigo F.Mike, lá nos dirigímos a Idanha-a-Nova embalados pela minha "litle jipose", para nos juntarmos ao resto da malta.
Quando alí chegámos, o ambiente era de festa. Montes de gente numa azáfama constante na preparação das bikes, outros no secretariado a levantar os dorsais, amigos que se reencontravam, novas amizades em gestação. Um verdadeiro dia de btt.
Pouco depois das 09h foi dada a partida e todo aquele "magote" de gente compacta se pôs em movimento, num longo cordão colorido que deu cor às avenidas novas da vila em direcção à Albufeira dos Carvalhos.
Como já vem sendo habitual partir nos últimos lugares, com a malta do BTTHAL e outros amigos, hoje haveria de ser um pouco diferente.
As pilhas da minha "cam" deram o berro e tive que a retirar da bike para mudar as pilhas, ficando com um belo atraso em relação aos últimos.
O F.Mike esperou por mim (este tipo tem uma paciência de santo.eheheh!!) e lá demos início à nossa aventura completamente isolados, mas isso não nos preocupava absolutamente nada.
Durante o percurso atá à Albufeira dos Carvalhos, foram bastantes os participantes que se encontravam a braços com os furos, o que nos causou alguma estranheza, ainda mais, quando o F.Mike ia dando um "tralho" à saída do asfalto para a terra. Felizmente nada mais foi necessário, que dar ar, bendito tubeless, e que se aguentou até ao final.
Já na descida do Alto da Cachoça para o Rio Torto tivemos que abrandar e parar devido à queda dum companheiro do Barreiro que ainda se encontrava prostado e a ser acompanhado por elementos da ambulância e que me pareceu "maltratado".

Como no nosso grupo vinham um médico e alguns enfermeiros, malta do BTTHAL, logo se disponibilizaram para prestar assistência ao colega acidentado, que foi prontamente conduzido ao Hospital. Rápidas melhoras ao Hugo, creio que é esse o nome, e esperamos vê-lo em breve nos trilhos.
Depois, foi pedalar por trilhos fantásticos, contornando inicialmente a bonita Barragem Marechal Carmona em direcção a bela e mais portuguesa Aldeia de Monsanto.
A vista do Cabeço, onde nasceu a aldeia, era uma miragem aterradora, quando se pensava na temível calçada romana, porém majestosa em termos de beleza.
Continuámos em direcção à Aldeia do Carroqueiro, que práticamente contornámos para entrar num belíssimo single track, que nos deu acesso à terrível calçada.
Eu já a tinha feito pela outra vertente, mas sem êxito.
Deste lado, apenas desci, também por duas vezes. É adrenalínico!!!
Mas desta vez, venci os meus medos e disse para comigo, ou chego lá acima a pedalar, ou caio!!!

Pois bem. Não caí e consegui finalmente vencer uma das calçadas romanas de Monsanto, com um pouco de sorte, como é óbvio, pois após pedalar algumas dezenas de metros naquele turbilhão de pedras brutalmente desníveladas, é mesmo necessário ter um santinho do nosso lado para ultrapassar a subir alguns desníveis.
Cheguei lá acima nas 180 ppm, o que para mim e na minha idade é um pouco arriscado manter esse nível de pulsações de forma algo constante. Mas a sensação de conquista valeu o risco.
Bem, lá no alto deparei-me com o que inicialmente me pareceu uma miragem.

Um belíssimo abastecimento que até dava para fazer sandes mistas de queijo e presunto e acompanhadas por bastante simpatia e bem querer servir.
Com tantos mimos, sair dalí era o grande problema, mas a descida da outra calçada romana esperava por nós. Era um outro desafio para o qual estava impaciente.

Lá fomos nós, AC, Malta do BTTHAL, e RARN à conquista do que muitos já tinham conquistado, não sem antes pedalarmos pelas belas ruas de Monsanto, desta vez a descer. Que maravilha!!!
Logo na parte inicial da calçada, aquela "chicane" de curva e contracurva deu para arrepiar.
Depois foi um gozo por ali abaixo até atingirmos o asfalto.

Sempre por trilhos de encher o olho chegámos a Idanha-a-Velha, antiga capital da Egitânea, onde entrámos pela bonita ponte romana, com uma nova paragem para mais um bem escalonado abastecimento, onde mais uma vez não consegui resistir a uma bela sandes mista de queijo e presunto.
Como a pressa em chegar não era a minha prioridade, comi descansadamente e saquei umas fotos com a minha digital.
Como o tempo já se adentrava pela tarde e preocupados com o já "alourado bácoro" e bem vergastado pelo ramo de louro, que estaria impaciente à nossa espera, lá resolvemos concluir os 20 kms que faltavam para finalizar esta nossa aventura.
Descemos então para as "poldras" para efectuar a travessia do rio ponsul, mas surpresa minha quando toda a malta parou de repente receando aquele pequeno lençol de água. Porque será que não gostam de molhar o sapatinho. Têm que se habituar a lavar os pés fora de casa.eheheh
Fui o primeiro e como tal o mais exposto à risada geral, mas a coisa ficou fria, pois consegui passar a pedalar.

Logo de seguida atravessa o Lozoya que saca uma grande ovação logo secundado pelo F.Mike que não quis deixar os seus créditos por mãos alheias.
O resto da malta, de orelha murcha, vai ter que regressar aos treinos, ou caso se repita, regressarão à equipa B. eheheh

Seguiu-se um belo estradão até próximo ao Monte dos Alemães, onde fomos brindados com outro explêndido single track com uma passagem "sui generis", produto do trabalho da malta da ACIN e que pôs a rapaziada ao rubro. Isto já estava a ultrapassar em muito as expectativas iniciais e para melhor.
Já há muito tempo que não pedalava por aquelas bandas e foi para mim uma agradável surpresa a diversidade de trilhos, associados a paisagens espectaculares que a malta da ACIN nos reservou neste inesquecível "III Trilhos da Raia".

Foi a cereja no topo do bolo a parte final do percurso da barragem até Idanha, naquela belíssima subida, com uns pequenos recortes técnicos, para a malta não se distrair, e que a mim pessoalmente, deu enorme satisfação.
A chegada, como não podia deixar de ser, foi espectacular, pois como é sabido só os primeiros e os últimos é que normalmente recebem aplausos e nós, já "habitués" nesta coisa de ser dos últimos, mais uma vez gozámos das vantagem que daí advêm. Senão vejamos;
balneários só para nós, àgua quente garantida, pode-se deixar caír o sabonete à vontade, (eheheh) e no último abastecimento (almoço) escolhemos o local onde nos queremos sentar e podemos comer de perna aberta e sempre junto à máquina de hidratação (imperiais loirinhas e com um capachinho branco) e ainda com direito a atendimento personalizado na zona dos tachos.
FOI UMA FESTANÇA!!!!!

Os meus agradecimentos a toda a malta da ACIN e em particular ao João Afonso e Rui Tapadas pela bela e comprida manhã de btt que me proporcionaram, onde o empenho na escolha dos trilhos, na sua marcação cuidada, a riqueza e abundância nos abastecimentos e o cuidado na recolha das fitas logo após a nossa passagem(últimos), merecem ser reconhecidos e sublinhados.
Um abraço a toda a malta da ACIN
Fiquem bem
AC

2 comentários:

rarn disse...

Sublime este III Trilhos da Raia.
Espero que a Câmara tenha registado aquele single track da zona dos Alemães junto à Barragem.
É que andei ali aos peões só para o filme ;-)

Um abraço
rarn

rarn disse...

Ah ah
Estava à espera que fizesse um comentário para por o filme...

Isto de descer aos peões para a Baragem é só para profissionais como nós ... profissionais de lazer e recreio.
ah ah ah