terça-feira, 16 de outubro de 2007

"Na rota das ribeiras"

Pensamento:
"Tudo o que é bom dura o tempo necessário para ser inesquecível"
(autor desconhecido

.o0o.

Com uma manhã inicialmente fresca, já a clamar pelos famosos "manguitos", ou jerseys de manga comprida, foram quatro dos já habituais "terçafeiristas" que se juntaram para mais uma volta de btt, com concentração e partida no já nosso "padock" Parque infantil da Pires Marques: AC, Micaelo, Filipe e Dino, useiros e veseiros nestas andanças do btt de laser, ressalvando uma ou outra excepçãozinha puramente adrenalínica.
Partimos pelas 08h15 em busca de alguns dos belos recantos, algures por aí, em que é fertil o nosso belo concelho, cá bem no interior, e onde se pratica o nosso btt, puramente lúdico e de pleno divertimento a que este grupo já se rendeu e se mantém sempre aberto a quem connosco queira partilhar este nosso prazer de pedalar ao encontro da natureza, onde por vezes a quilometragem e a dificuldades orográficas não nos demovem de procurar e pedalar por locais de encanto natural.
Saímos em direcção aos Escalos de Baixo, onde parámos para o café da manhã.
Dalí partimos ao encontro de alguns dos trilhos utilizados no passeio do Clube Lousense, no passado dia 5, e neles entrando no Vale da Silveira, seguindo-os pela Barrussa e Gralhais até à Terra Navancha.
Aí atalhámos por outro trilho para voltar a entrar na zona da Nesvelha, continuando pelo Cabeço do Monte e descendo para a Nogueira por aqueles belos e técnicos trilhos até à Ribeira de Alpreade.
Na Nogueira parámos algum tempo para observar mais de uma dezena de grifos que pairavam sobre o vale em voos graciosos e que nos proporcionaram uns belos momentos.
Abandonámos de novo parte do trajecto dos "Trilhos da Lousa" e atravessámos logo alí a ribeira, onde o Dino e o Micaelo, não querendo molhar o sapatinho, nos proporcionaram, a mim e ao Filipe, uns momentos divertidos, com as peripécias daqueles dois, que tiveram mesmo que molhar os pés.
Da ribeira, demos início à acessível subida para o Bicho de Ferro, quando logo no início o Filipe parte pela segunda vez a corrente da bicla. A primeira deu-se nas proximidades de Escalos de Baixo.
Nunca tinha visto uma corrente tão "linkada", tantos eram os links de ligação suportados por aquela desgastada corrente, cujo merecido descanso hà muito reclama e da qual também sou accionista, pois contribuí, pois assim espero, com o seu último e derradeiro "link".
Mas o que é facto é que também ainda não tinha visto tanta destreza num betêtista na colocação de "links" em correntes como o Filipe, talvez o maior "linkador" de correntes da Beira Baixa e arredores. eheheh!!!
À chegada ao Arraial do Bicho de Ferro tinhamos à nossa espera um corpulento e felizmente pachorrento cão pastor, que nos acolheu alegremente e acabando por fechar o nosso pequeno pelotão betêtista durante umas dezenas de metros até chegar ao rebanho de cabras do qual certamente era responsável, pois elas seguiam-no piamente. Engraçado!!!
Sorte no cão ser pachorrento e sorte em encontrarmos o portão da herdade aberto, pois costuma estar fechado a cadeado.
Lá entrámos no estradão que vem de Oledo a Idanha-a-Nova, o qual seguimos até virarmos à direita para a Várzea e onde antes da descida virámos novamente à direita para a Sta Marinha, tendo que saltar o portão que se encontrava fechado e bem observados por uma imponente vaca, que nos mirou e remirou, mas que acabou por nos virar costas.
Entrámos então num trilho deveras espectacular e de muita beleza, onde sobre a esquerda e a nossos pé tinhamos a Várzea e até onde a nossa vista podia alcançar, a vasta campina até lá para os lados do Ladoeiro. Sobre a direita serpenteava a Ribeira de Alpreade lá na profundeza.
Seguiu-se uma longa e bela descida para a ribeira, onde a campina à minha esquerda desapareceu, para dar lugar ao leito do Rio Ponsul, que nos proporcionou observar uma paisagem memorável entre os dois cursos de àgua e suas envolventes.
Sempre descendo, fomos atravessar a Ribeira de Alpreade na proximidade onde esta desagua no Rio Ponsul e mais à frente atravessámos também a Ribeira do Salgueirinho e observando lá do fundo aquelas inóspitas paisagens, fez-nos sentir pequenos em toda aquela magnitude.
Depois demos início à grande dificuldade do dia, a subida da Ribeira do Salgueirinho para a Mata, que fomos "devorando" lentamente absortos naquela paisagem agreste e que nos fez esquecer um pouco a dureza da subida.
Já no alto, mas agora do outro lado observámos de novo aquela explêndida paisagem, agora em ângulo inverso e onde predominavam os extensos olivais a perder de vista, contrastando com o matagal essencialmente de estevas e giestas que vestia as escarpas das ribeiras e do Rio Ponsul.
Uma manhã inesquecível de btt, onde a beleza dos trilhos que percorremos e da paisagem envolvente nos fascinou, inseridos na agrura nos locais por onde pedalámos.
Tenho de lá voltar, mas temo que já não poderá ser este ano, pois logo que caiam as primeiras chuvadas, os caudais das ribeiras subirão rápidamente e algumas das descidas ficarão barrentas e escorregadias, aliado ainda à sua inclinação.
Da Mata para Castelo Branco entrámos num trilho junto ao Campo de Jogos em direcção à Tapada do Zé Lopes para mais à frente cruzarmos a N.240 em direcção ao Monte S. Luís.
Aí procurámos o velho e em desuso trilho utilizado na Maratona da ACCB hà dois anos, acabando por ter que inventar um single em terreno lavrado, seguindo o estreito esteiro das ovelhas até ao portal para o trilho do velho pontão da Ribeira da Fonte Santa, onde virámos à esquerda para o já quase desaparecido trilho que nos conduziu à zona da Capa Rota, onde entrámos na estradão agora alcatroado, que seguimos até à cidade, onde entrámos pelas 13h10, com 63 kms percorridos, em trilhos fenomenais e em excelente companhia.

Só queria agora incluir aqui um pequeno aparte e um apelo aos senhores organizadores de passeios de btt.
"Por favor retirem as fitas colocadas para orientação dos participantes". " Estas não abandonam sózinhas o local onde foram colocadas e depois somos nós betêtistas que pagamos as favas e temos que ouvir os lamentos dos proprietários dos terrenos e de outros, alguns impropérios". Somos ainda nós betetistas que somos proibidos, nalguns casos, de utilizar certos trilhos, pela incúria de outros. "Retirar esse lixo, também faz parte do bem organizar". "Só a titulo de exemplo, poderiam adoptar o sistema da malta da Lardosa, que no seu último passeio, tinham uma viatura, que além de controlar o último participante, vulgo carro vassoura, apanhava as fitas por eles colocadas e ainda apanhava o lixo deixado por alguns participantes menos escrupulosos".

"Desculpem qualquer coisinha, mas a verdade tem que ser dita!!! É que sobre o evento já passaram 10 dias e as fitas ainda lá estão, impávidas e serenas, balançando ao sabor do vento e à espera que as retirem!!!

Fiquem bem
AC



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