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"XXI Troia - Sagres, o empeno do ano"

Mais um ano a chegar ao final e a minha 4ª. participação na mítica ligação Tróia - Sagres.
Tudo bem, não fosse o facto de ter sido uma participação bastante atípica e bastante incomum, relativamente à minha forma de preparar este tipo de eventos.
Sabia que teria que ter cuidado com a alimentação, mas mesmo assim, não resisti a uma valente jantarada de uma espécie de caldeirada com enguias fritas. Quem poderia resistir a tal petisco??
No final e pela simpatia da responsável pelo estabelecimento, também não me abstive de saborear umas quantas iguarias, próprias da região e produto da casa.
Deitei-me pois, com a barriguinha cheia, que nem um abade. Só que, no dia seguinte teria que participar num evento de cerca de 200 kms de bike e não num roteiro gastronómico.
Não consegui conciliar o sono e de manhã, ao preparar a bike e o material, verifiquei que o capacete e a banda cardíaca tinham ficado em Castelo Branco. Fiquei meio arreliado!!!
Eu, que não consigo saír de casa sem tomar o pequeno almoço, desta vez não o consegui tomar.
Não havia apetite. Tudo bem, pararia durante o percurso e tomaria o pequeno almoço, planeei!!!
Nada mais errado. parti da rotunda de Troia, pelas 08h10, rumo a Sagres.
Comecei por ingerir uma barra energética, que me custou a engolir.
Alguns kms depois. comecei a sentir uma ligeira indisposição, mas nada que me impedisse de pedalar, só que não conseguia comer naquele momento.
Aos 60/70 kms, os estômago doía-me e pedalar já era com algum sacrifício. Uns momentos melhores, outros piores, mas, quando tentava meter algo no estômago, este não aguentava. Atribuí a culpa às enguias. mas não eram elas as culpadas. Era eu próprio.
Até S. Teotónio, ainda consegui um bom andamento, mas a partir daí, comecei a arrastar-me e de vez em quando, lá parava para tentar comer algo. Parava junto à minha viatura e lá conseguia dar um par de dentadas numa sandes e beber um pouco de sumo.
Como se isso não bastasse, tive ainda que me debater com o vento que soprava de leste, na ordem dos 39/40 kms/h, segundo a meteorologia.
Algures entre S. Teotónio e Odeceixe, vi passar por mim o Joaquim Cabarrão, quando estava a tentar mordiscar meia sandes.
Vi-o pouco depois, quando também se abastecia e, alguns kms mais á frente quando passou por mim inserido num numeroso grupo.
Subir Odeceixe, mais me pareceu a subida á Torre em versão curta. No alto pensei em desistir.
Não o fiz, porque a minha viatura de apoio não estava por alí. Ou porque a teimosia, o espírito de sacrifício, ou a "tarimba" de cerca de 30 anos a dar ao pedal, o impediram. Sei lá!!!
Fiz ainda mais três pequenas paragens para mordiscar na sandes. Consegui beber um compal de pêra e continuei.
Nunca me custou tanto pedalar. Não conseguia acompanhar ninguém. Nem os mais lentos.
E assim sofri durante cerca de 100 kms, até que a partir da Carrapateira, a cerca de 50 kms do final, comecei a arrebitar e terminei já um pouco mais bem disposto.
No final, a minha participação este ano, que decidira ser a última, talvez a não seja. Não quero que a minha última participação no Troia - Sagres, seja uma má recordação.
Soube depois que toda a rapaziada de Castelo Branco, conseguira os seus objectivos, pelo que desde aqui, lhes endereço os meus parabéns. Para o ano lá estaremos de novo, certamente!!!
À laia de finalização, acabei por concluir os 202 kms do percurso em 7h e 32 m.
Ser lamechas, não é muito o meu estilio. Mas esta é a minha história do Troia - Sagres 2010.
.
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos
. . .ou fora deles.
AC

Comentários

Tê disse…
Olá!
Sr. Cabaço, será que aprendeu a lição?! Ou na próxima oportunidade volta a não resistir às enguias?
Bem, para o ano cá espero comentários mais felizes.
Boas pedaladas.
;-)
Anónimo disse…
Querem ver que não posso deixar o menino sozinho!
Para que a história não se repita, vou tomar já as devidas providências...
- Acabei de reservar na minha agenda o XXII Troia- Sagres.
Será com muito prazer que tomarei conta de ti, eheheheh, quero dizer, não irás sozinho.
Um Grande Abraço
Silvério
FMicaelo disse…
Boas amigo AC. É bom saber que já está recuperado dessa indisposição. É que ainda temos muitos quilometros para fazer em alcatrão ou no pó dos trilhos! Acho que o Silvério é que tem razão...deixou-o sozinho e deu nisto!Eeheheh Até pro ano!
Ferrão disse…
Olá António,

No fundo, estas são as que ficam na lembrança. Podes julgar ter sido a tua pior prestação mas teres chegado ao fim apesar de todas as adversidades, acho que faz dela a melhor. E na primavera cá estaremos mas para o dobro.
Abraço.

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