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"Orca"

Quando pela manhã dei uma espreitadela pela janela da cozinha, não gostei!
Parecia qua a chuva iria começar a cair a qualquer momento.
Seguiu-se a indecisão do vais, não vais, mas, acabei msmo por ir. Ia mesmo convencido de que desta vez não escapava . . . ia mesmo apanhar uma "molha"!!!
Eram 09h quando dei as primeiras pedaladas em direção à Orca, aldeia cuja designação atesta a importância do lugar desde os primeiros tempos de povoamento na Península Ibérica.
De fato, Orca é designação para um Dólmen bastante peculiar. Um monumento megalítico formado por uma anta de câmara poligonal e um corredor envolvido por uma mamoa.
Mas já chega de história!!!
Agora a pedalar, passei pelos Escalos de Baixo e de Cima e desci a S. Gens, onde afrontei a primeira subida do dia, a S. Miguel D'Acha.
Fugindo um pouco a velhos hábitos, não parei desta vez no Café da Dona Maria, mas sim na Pastelaria "Flor do Outeiro" ao cruzamento para Vale de Prazeres.
Ía com o sentido no "pãozinho de Deus" e no néctarzinho de pêra, que caíu que nem "ginjas"!!!
Já aconchegadinho, rumei então à Orca, descendo ao vale e passando a Ponte Medieval sobre a Ribeira do Taveiró, cheguei à Orca após concluir a suave subida.
Paragem na fonte para atestar bidon e continuei para Vale de Prazeres, onde passei pela subida do dia até á fonte, á meia encosta da Serra da Gardunha.
Desci para Alpedrinha e após passar o cruzamento das Atalaias, virei à direita para a Soalheira, onde parei, no Café das Bombas, para a dose cafeínica, que saborei, com tempo, espaço e sem stress.
Cruzei a Soalheira por algumas estreitas ruelas em paralelo, apreciando o traçado de algumas casas peculiares, até que cheguei ao largo principal, com a sua minuscula rotunda e pequena estátua em homenagem aos sapateiros. Fiquei hoje a saber, depois de tantas e tantas vezes que por ali passei, que a Soalheira é a terra dos sapateiros. E esta, heim!!!
Pela estreita estradinha das hortas, rumei à Barragem da Marateca, que contornei até ao paredão, seguindo depois para a Póvoa de Rio de Moinhos.
Sempre bonita, aquela extensa bacia hidrogáfica, cuja beleza pode ser espreitada em qualquer dos seus ângulos.
Marquei depois o azimute a Caféde e entrei na cidade pelos Buenos Aires, com 91 kms pedalados pelas bonitas estradas cá do nosso interior e, mais uma vez, de fatinho enxuto, apesar do céu bastante nublado a ameaçar chover a qualquer momento. Creio que o S. Pedro gosta de me ver por aí, pedalando numa boa!!!
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos,
ou fora deles.
AC


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