domingo, 16 de dezembro de 2007

"O meu 1º. Troia-Sagres"


altimetria

.o0o.
15/12/2007
Uma data para recordar!!!

Foi o meu primeiro Troia-Sagres, após alguns anos de hesitação, não porque me sentisse incapacitado, pelo contrário, pois já tenho alguma experiência nestas "andanças".
Simplesmente fui adiando.

Agora a história.
Saí de Castelo Branco pela tardinha de sexta feira, véspera do "embate", rumo a Setubal onde fiquei alojado numa residencial na Avenida Todi, bem perto da Estação do Ferry Boat, não fosse o diabo tecê-las.
Depois a primeira "asneirada", não consegui resistir à especialidade da terra. O famoso choco frito com picante e ainda por cima a acompanhar com um branquinho divinal. "Valha-me Deus", como fui cair nessa se no dia seguinte queria fazer 200 kms de bicla!!!
Tinha dado o primeiro passo para a desidratação, mas lá consegui recuperar indo-me hidratando aos bochechos com bebida hipotónica durante todo o resto da noite e até me deitar e de manhá até à partida. Recuperei bem.

Às 06h00 do dia D já estava levantado, preparei as coisas com calma e pelas 06h30 partí em direcção ao Ferry, mas quando alí cheguei a fila de carros para apanhar o ferry, era a perder de vista, estava lixado, já não conseguia partir dentro do horário estipulado.
Consegui apanhar o ferry das 07h45 e lá fiz a travessia num mar calmo, neste caso rio, até atracar na outra margem.
Saí do ferry e depois foi tentar encontrar um espaço para estacionar e preparar a bike, pois por todo o lado estavam espalhados dezenas de indivíduos nos preparativos para esta mítica prova.
Era malta a partir constantemente, fora os que já tinham partido e que vieram nos barcos anteriores.

A manhã estava gelada e os campos estavam esbranquiçados da geada, parecia que a velhinha por ali tinha andado a peneirar durante a noite, construindo lindas paisagens naqueles terrenos arenosos repletos de erva rasteira.
Tinha planeado partir pelas 07h45/07h50, mas com tudo isto só consegui partir pelas 08h45.
Quando estava para arrancar, vejo o Victor Cordeiro da BTTerra, que me perguntou se não lhe arranjava um condutor para a viatura, pois não tinha quem a conduzisse até Sagres.

Lá falei com a minha filha mais velha que se voluntariou para levar aquele "bruto" BMW todo automático até Sagres. Foi uma nova experiência para a garota, conduzir uma máquina daquelas e para o Victor um desenrascanso.
Lá ia eu no meu aquecimento em velocidade de cruzeiro e iam passando por mim alguns companheiros, que pareciam ir de "mota".

Alguns encontrei-os pelo caminho já em dificuldade e fiquei com dúvidas se conseguiriam chegar ao final sem serem atacados pela "Dona Cãibra" ou por alguma "pájara" à espanhola, ou mesmo se conseguiriam finalizar o percurso.
Alguns kms à frente chega o grupo do Victor Cordeiro, onde vinha também a Celina Carpinteiro, uma das "craques" do btt nacional e o Victor convidou-me a acompanhá-los.
Aceitei o convite, mas preparado para me deixar ficar para trás e seguir ao meu ritmo se ligassem o "turbo".

Mas estava tudo a correr às mil maravilhas, a malta não dava grandes esticões e rodava-se a boa velocidade.
Valendo-me da experiência já conseguida ao longo dos anos nas longas distâncias, nas diversas provas onde já participei e aventuras que já viví, mantíve-me sempre na cauda do grupo, recatando-me do vento e onde a pedalada não é tão contínua, arriscando muita vez colar na roda dos companheiros da frente, quando os andamentos eram menos descontraídos.
Mantíve-me com este grupo durante muitos kms até que em determinada altura o Victor parou, sabendo mais tarde que para ajudar um companheiro que tinha furado e eu continuei com os da frente.

Fui sempre aguentando os andamentos e apercebí-me que ia bastante bem, ou por outro lado, que aquela malta não ía assim tão bem.
Mesmo assim não queria "asneirar" e raramente passei do meio do grupo para a frente, deixei que os mais jovens puxassem pelo grupo. Estava a rolar com malta com quem ainda nunca tinha pedalado, por isso usei o bom senso!!!
Pelo caminho, alguns iam ficando e outros se iam juntando, é espectacular, mas já perto de Sines o grupo começou a partir-se e a Celina Carpinteiro, ou não aguentando o ritmo, ou por opção, ficou também para trás com alguns companheiros e eu, sentindo-me bem com aquele andamento, continuei com o grupo da frente. Estava admirado comigo mesmo, pois já há bastante tempo que não fazia estrada nestes termos, apenas umas saídas quase sempre em solitário e sem "picanços", pois já estou "velho" para isso.

há dois anos a esta parte tenho-me dedicado mais ao BTT.
Entretando juntaram-se ao nosso grupo mais uns quantos e a "coisa" seguiu animada, mas começou a haver alguns "picos" e eu já estava quase a ficar no "elástico" mas fui aguentando e os que começaram a "guerrilha" acabaram por morrer na sua própria estratégia, ficando pelo caminho. Continuámos três, eu incluido e mantivemos um andamento que desse para recuperar.
No Rogil, os meus companheiros pararam para comer e eu também por alí me mantive durante cinco minutos, mas como o meu carro de apoio estava atrasado, resolvi continuar para não arrefecer e só parei quando fui alcançado pelo carro alguns kms mais à frente, aproveitando para comer algo mais sólido, que a minha mulher me tinha preparado.

Pensei então esperar pelo grupo do Victor Cordeiro, ou da Celina, o que passasse primeiro, pois não deviam vir muito longe. Aquilo é malta que anda!!!
Estava eu a acabar de comer quando passa o Victor e mais uns quantos, pelo que me apressei para tentar ir com eles, mas estes depressa desapareceram da minha vista, contudo apercebí-me que também já não íam muito bem, pois onde eu estava começava uma ligeira subida e alguns reduziram bastante o andamento, inclusivé o Victor e criaram-se logo alguns espaços.
Despachei-me e fiz-me à estrada com intenção de tentar alcançá-los se continuasse a ter boas sensações e foi o que aconteceu.

Localizei o grupo poucos kms mais à frente e com algum esforço, mas sem abusos, consegui alcançá-los e acompanhei-os algum tempo, mas alguns e entre eles o Victor, que me pareceu o mais maltratado, já íam a "deitar fumo" e eu continuei com o meu ritmo.
Faltavam cerca de 50 kms para o final e eu senti que era capaz de manter o ritmo até final, a única dificuldade era a "Carrapateira", mas não era grande inclinação, acabando por a concluir com um 50X17. Até eu fiquei admirado. "Aquele choco frito devia ter algum mistério"!!! eheheh
Do alto da Carrapeteira até Sagres foi um tiro. Cheguei bem e a bom ritmo.
Desde Rogil até Sagres rolei quase sempre sózinho sempre a passar malta, alguns já bastante maltratados, exceptuando os poucos kms que ainda fiz com o grupo do Victor.

Foram 220 kms, com alguns pequenos enganos, feitos em 06h45 a pedalar, à média horária de 32,7 kms/h. Eram 15h45 quando parei a bicla junto ao Posto de Turismo em Sagres. 07h00 no total e 06h45 a pedalar.

Foi uma experiência que me agradou bastante, quer pela mística que a envolve, quer por ser a primeira vez que faço tal quilometragem com bicicleta de btt com roda fina. Foi interessante e inovador para mim!!!

O trajecto é espectacular, quer a nível paisagístico, que este ano não apreciei convenientemente por querer saber até onde poderia chegar, quer em termos de dificuldade, que se cinge mais à longa quilometragem, que à altimetria. De relevo apenas a subida de Odeceixe e a Carrapateira, mas nada por aí além.

Para o ano, quase que tenho a certeza que lá estarei novamente, desta vez para ver e não para bater tempos. Irei ver se consigo arrastar alguém para ir comigo, ou quem sabe, irei acompanhar alguém.
Os dados do Troia-Sagres
Distância. . . . . . . . . . . .220 kms
Acumulado. . . . . . . . . .1181 hm
Velocidade média. . . . 32,7 kms/h
Velocidade máxima. . 64,8 kms/h
Média pulsações. . . . . 141 ppm
Calorias consumidas . 5010 Kcal
Tempo a pedalar. . . . .06h45
Temperatura máxima. .15,5 ºC

Fiquem bem
Vêmo-nos nos trilhos
AC

7 comentários:

FMicaelo disse...

Bem pelos vistos calhou-me a mim o primeiro comentário mas...estou sem palavras! Que espectáculo deve ter sido! Pró ano tb quero ir! Portanto vamos lá treinar de vez em quando para ver se adquiro forma para tal gasto de calorias....ehehehe! Excelente Post!

Anónimo disse...

Os meus parabens por ter alcançado a meta pretendidas: chegar a Sagres! Sem dúvida que deve ter sido muito duro,devido a longa distânçia do percurso. Mas tambem muito satisfatório ter chegado ao fim. Quem sabe se para o ano tambem lhe faça companhia...

Filipe

Anónimo disse...

Parabéns Srº Cabaço!
Excelente post!
Para mim, é invejável a forma física com que se encontra! Bem sei que o segredo está no treino e a grande força na cabeça!
Um abraço...
Até aos trilhos!

João Valente

Anónimo disse...

Felecitações... pela sua grande coragem, nós
que não "podemos" ir sempre
ficamos com um gostinho na boca pelos relatos que nos deixa.

Obrigado pela viagem....

Mário Benjamim

Anónimo disse...

Parabéns Sr. Cabaço, por ter conseguido concluir mais esta grande aventura!
Excelente, o relato que fez da mesma.

Jorge Palma

Abilio disse...

Estava ansioso por ver este relato. Parabéns por ter atingido o objectivo. Continuo a achar que é muito quilómetro. Um abraço e até aos trilhos. Fidalgo.

rarn disse...

Já tive oportunidade de o ter cumprimentado pessoalmente depois desta aventura.
No entanto aqui ficam, por escrito, os meus sinceros parabéns, pelo objectivo cumprido.

Para o ano vou tentar acompanhá-lo e aos mais que se juntarem, mas eu vou como carro de apoio ;-)

Um abraço e boas festas.

Roberto Nabais