quarta-feira, 3 de setembro de 2008

"Por trilhos nunca dantes pedalados"

Terça Feira, 02.
Como não poderia deixar de ser, dia de pedaladas com os amigos que têm alguma disponibilidade durante a semana.
Desta vez apenas o Filipe compareceu e logo ficou definido que este dia seria de descoberta e aventura.
Como o Filipe não é esquisito, desde que seja para andar de bike alinha para qualquer lado, desta vez desafiei-o para irmos em busca de novos trilhos para a zona das Espantalhosas, zona bastante agreste e onde parece que a civilização ainda não chegou.
Apenas existe mato, floresta e barrocas fundas!!!
Carreiros são imensos, criados por animais selvagens e porventura algum gado em época estival.
Éramos só eu e o Filipe no meio de nenhures, uma situação que me dá algum prazer e aqui tão perto.
Quase que nos sentimos donos do que podemos alcançar, sem vivalma, com excepção de veados e javalís e espécies venatórias de menor porte.
Saímos pelas 08h10 em direcção ao Valongo desta vez por alcatrão e pela variante à Carapalha e virámos para o Vale dos Gagos para alcaçarmos os Maxiais e darmos as primeiras pedaladas de prazer na vereda que começa no arrabalde da povoação até quase ao início das Espantalhosas.
Ali começámos a descer pelos contornos duma curva de nível até encostarmos ao Ribeiro do Cinzeiro que ladeámos numa bela descida, absortos naquela paisagem algo selvagem até à sua foz, no Ribeiro do Barco, que também ladeámos em altitude, pois este forma uma barroca profunda e ondulante cheia de beleza e misticismo.
Em determinada altura atravessámo-la tendo para o efeito de efectuar uma inclinadíssima e curta descida com a bike à mão pois descê-la de bike era impraticável, tanto mais que tinha alguns regos profundos e já do outro lado do ribeiro continuámos a contorná-lo, agora pela sua margem direita.
Chegámos a uma zona sem saída ciclável, pelo que subímos um aceiro em eucaliptal para nova e espectacular descida em trilho curvilínio no meio de esteval até ao vale plantado de velho olival, onde descobrimos um espectacular esteiro de animais na sua maioria ciclável, com algumas passagens técnicas e perigosas, para mim, pois para alguns craques que conheço aquilo é como gingas e se algum dia os ali levar, tenho que levar também um maço de lenços de papel, pois de certeza que se vão babar de prazer!!!
Depois de me inteirar do final do carreiro e que entroncava em trilho já conhecido, voltei a subir o trilho que antes havíamos descido, agora necessitando um pouco mais de técnica, pois é algo pedregoso e com algum mato, para rumarmos desta vez para a zona da Várzea das Canas, local já conhecido e que fica Este dos Cebolais de Baixo.
Acabámos por entroncar no estradão que vem dos Cebolais de Baixo, próximo do marco geodésico de Currais e termina na Estrada de Alfrívida/Lentiscais.
No final da descida virámos à esquerda e apanhámos os trilhos de novo para os Maxiais, sempre a subir, que fizémos calmamente, pois a hora não era tardia.
Chegámos à povoação e aproveitámos para nos refrescar com uma bebida fresca e dar dois dedos de conversa no café da aldeia.
Regressámos depois à cidade e parámos novamente, desta vez no Bar da Associação do Valongo para a bjeca final, sagrespan pois claro, ficando-se o Filipe pelo suminho sem gás, pois ainda não se rendeu às virtudes da cevada.
Foram 43 kms de aventura e descobrimento, com uns quantos novos trilhos a juntar aos já existentes, apenas com o senão de serem um pouco exigentes e como tal aconselhados apenas à rapaziada da classe "Kuduro", ou para quem o btt é vida e aventura, doa o que doer!!!
Pelas 12h15 regressámos à civilização, já a fazer planos para a próxima aventura.

Fiquem bem
Vêmo-nos nos trilhos
AC

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