domingo, 14 de setembro de 2008

"XV Edição do Serra Acima"

Decorreu este fim de semana mais uma edição do "Serra Acima" uma das grandes clássicas do cicloturismo nacional, que ainda se mantém "viva" graças à obstinação do José Morais, um conterrâneo natural de Salvador.
Uma clássica que era para ser nossa, organizada por uma associação ou clube da região, mas vá-se lá saber porquê, anda quase que a mendigar por outros lados.
Começou a ser organizada com partida de Castelo Branco, em parceria com a Associação do Valongo e com final da 1ªa Etapa na Aldeia de Joanes, também com a participação do clube local, após total desinteresse da nossa Associação de Cicloturismo ( só para alguns) que dá primazia aos passeiozinhos de "barriga cheia" tipo Passeios Ibéricos a Malpica do Tejo. (Desconhecia que Malpica tivesse sido conquistada pelos espanhóis).
Posteriormente o "Serra Acima" mudou-se para a Relva (Monsanto) durante um ano e nos anos seguintes para Salvador, terra de onde é natural o José Morais e que conseguiu que esta clássica ali fosse recebida de braços abertos e fazendo juz à hospitalidade das gentes beirãs (nas aldeias, claro, pois cá no burgo, só se o Cristiano Ronaldo participasse no evento!!!)
De então para cá a Junta de Freguesia de Salvador oferece o almoço aos participantes e acompanhantes e isto porque cerca de 400 participantes e respectivos acompanhantes dão um grande colorido e animam aquela gente singela e hospitaleira.
A primeira etapa do evento que decorreu no Sábado, começou então em Salvador e terminou na Aldeia da Vela, lá para os lados de Belmonte, onde a Junta de Freguesia ofereceu também aos participantes e acompanhantes um farto lanche bem à moda beirã, onde não faltou o bom enchido e outras iguarias.
Hoje Domingo, decorreu a segunda etapa, com partida na Vela, antecedida dum espectacular pequeno almoço, também oferecido pela Junta de Freguesia, com final na Torre ( Serra da Estrela).
no Sábado, saí de casa pelas 11h45 em direcção ao Salvador, acompanhado da minha esposa e filha mais nova, normalmente as minhas companheiras nestas andanças e que sem elas muitas vezes não poderia participar.
Almoçámos, fomos tomar o cafézinho e seguidamente comecei a preparar o material e a minha asfáltica para o primeiro dia, quase sempre lento, em ritmo de passeio, para aquecer e tonificar os músculos para o dia seguinte.
A partida foi dada já depois das 15h e a caravana lá partiu em direcção à Vela com passagem por Aldeia João Pires, Aldeia do Bispo, Penamacor, Meimoa Vale Sra da Póvoa, (abastecimento) Terreiro das Bruxas, Carvalhal, Belmonte, Gonçalo, Gaia, Venda da Vela e Vela perfazendo 72 kms em ritmo moderado com alguns momentos de bom andamento.
No Domingo saí de C. Branco pelas 07h30 para dar início à segunda etapa a começar na Vela, onde à chegada a malta foi brindada com um farto pequeno almoço com todos os ingredientes.
A saída foi dada pelas 09h e o pelotão arrancou em direcção à Torre, passando por Gonçalo, Valhelhas, Vale da Amoreira, Sameiro, Manteigas e terminando na Torre após 53 kms bastante diferentes do dia anterior.
Hoje sentia-me particularmente bem e comecei a jornada como sempre faço, cá bem atrás, pois gosto de observar aquele colorido a serpentear estrada acima sem ter que andar a "snifar" gasóleo do carro da organização e evitar tanto quanto possível o "fole" do trava destrava.
Neste segundo dia acompanhou-me o Álvaro que apareceu hoje para subir ao alto da Torre e fizemos companhia um ao outro até Manteigas.
Tudo correu na normalidade, o andamento até foi um pouco mais rápido que no ano transacto e eu aproveitei para ir aquecendo os músculos para a vintena de kms finais.
Em Manteigas, ainda antes de iniciar a subida, aproveitei para me alimentar mais um pouco e foi um pouco mais à frente que começou o "castigo", logo com a dura rampa do viveiro das trutas.
Logo aí adiantei um pouco dois companheiros que também íam com um ritmo certo, pelo menos um deles e logo pensei em verificar o que "aquela roda me poderia ajudar" e para evitar más interpretações começei eu a puxar sempre com aquele companheiro na minha roda, pois o outro foi perdendo terreno.
Algumas centenas de metros mais à frente, procurei o Álvaro, mas ele também já tinha perdido a roda e eu fiquei ali um pouco num dilema, sigo ou espero!!
O Álvaro pareceu entender e fez-me sinal para continuar, pois ele iria ao seu ritmo e assim foi.
Com esse companheiro continuámos uns kms revezando-nos de vez em quando, quando fomos ultrapassados por um elemento da equipa da TAP, mas que não nos conseguiu ganhar muito terreno, pelo que matreiramente nos fomos aproximando e mantivémo-nos na roda dele algum tempo.
Lá mais à frente um outro participante apanhou a nossa roda e formámos um grupo de 4, mas só eu o o companheiro da Tap é que puxávamos e eu não estava interessado nessa táctica pelo que deixei de ir na roda e coloquei-me a par do companheiro da TAP, o que levava melhor andamento e com pedalada certa, pois cá para trás já se soprava muito e aquilo já vinha aos solavancos.
Quando chegámos à curva do Parque de Campismo, o companheiro da TAP acelerou um pouco, aproveitando o vento que ali nos dava uma preciosa ajuda e eu mantive-me sempre junto a ele e pedalámos com ritmo certinho.
Ao olhar para o conta kms duvidei que o aparelhómetro estivesse bom, pois íamos a subir a entre os 18/20 kms/h e assim fomos até ao Centro de Limpeza de Neve.
Os outros dois companheiros não aguentaram a pedalada e eu estava surpreendido comigo próprio, nunca pedalara assim na Serra e em pensamento já me acusava de ter feito asneira e que iria pagar na fase seguinte que era a mais dura.
Após a descida para o Relvão e quando começámos a subir novamente comecei a sentir-me bem e as pernas até estavam a corresponder.
Ía com um carreto 19 e sentía-me bem pelo que continuei.
Km a km fomos galgando terreno e à passagem do túnel o meu companheiro, simplesmente ficou-se, faltaram-lhe as pernas.
Ainda mantive um andamento de forma a que ele colasse, mas já não era capaz e eu também não iria mudar o ritmo, pois estava a sentir-me bem e continuei.
Foi já na recta final que começei a sentir as pernas um pouco pesadas quando me levantei para pedalar e verifiquei que a minha vez de claudicar já estava perto, mas já estava no alto e foi a melhor subida que fiz à Torre de todas as vezes que ali fui.
Para isso contribuiu as minhas últimas aventuras com as subidas em Agosto ao Tourmalet, Soulor, Aubisque e Hautacam e à quinze dias ao Alto da Sra da Graça em Mondim Basto.
Agora está na hora de parar, recuperar e procurar outros ritmos para conseguir manter a longevidade em cima da bike. Os anos não perdoam e temos que ouvir com atenção aquela voz que há dentro de nós e nos murmura bons conselhos, apesar de na maioria das vezes fazermos ouvidos de mercador.
Foi um belo fim de semana onde fiz um bom binómio com a minha asfáltica e agora vou dar um pouco mais de atenção à minha "terráquea"

Fiquem bem
Vêmo-nos nos trilhos
AC

2 comentários:

Rotiv disse...

Parabéns a todos os participantes ;)
Abraços,
http://bloteigas.blogspot.com/

Luis Franco disse...

Parabéns a todos os que participaram neste evento, também à organização.
Quero agradecer ao Amigo Cabaço que no decorrer do percurso de Sábado deu-me umas dicas importantes para a subida à Torre, foram muito úteis pelo facto de eu ser estreante neste passeio, que me correu muito bem.
Abraço do Lardosense Luis Franco.