domingo, 8 de junho de 2008

"XXV Ciclo Brevet Internacional de Cicloturismo # Caldas da Rainha - Estremoz - Badajoz"

25 anos depois, a mais antiga clássica do Cicloturismo Nacional volta a Badajoz, desta vez para comemorar as suas Bodas de Prata.
Foi pela mão do incansável Mário Lino que o tardicional Caldas/Badajoz, como é conhecido, teve a sua primeira edição, há 25 anos e que continua a ser sem dúvida alguma, o grande impulsionador deste evento.
Ainda recordo há muitos anos atrás, quando participei no meu primeiro Caldas/Badajoz, com velhos companheiros do pedal, todos eles práticamente já "reformados" destas lides.
O Zé da Mata, o Engenheiro Edmundo, O João "Latas" o Saudoso "Ti Fazenda" entre outros.
Contudo existem ainda alguns resistentes, como Eu, o Ti João "dos Escalos", que com os seus 77 anos, ainda abana a maioria dos jovens que por aí pedala, o Zé Robalo de Alcains, que raro é o dia que não dá a sua voltinha, agora rendido à "comodidade" da bike de Btt, com roda fina, O "Agulhas" que sempre a resmungar lá vai pedalando um par de dias na semana, sendo o companheiro inseparável do "Zé Robalo".
Enfim, o tempo passa e as coisas mudam, só que tenho algumas "reticências" que no que diz respeito à prática do Cicloturismo, tenha efectivamente melhorado.
Decorreu este fim de semana (7/8Jun) a XXV Edicção do Caldas Badajoz e mais uma vez, fiel à minha primeira vez, participei neste belo evento.
O pelotão destas clássicas está cada vez mais envelhecido, notando-se a falta dos jovens que não aderem a esta prática salutar e os poucos que por lá aparecem, estão mais preocupados com a depilação das "perninhas", apresentando-as bem oleadinhas e lustrosas, mas só isso, nada mais!!!
Ressalvo as devidas excepcões, como é óbvio!!!
Mas avancemos!!!
Saí de Castelo Branco na sexta feira em direcção às Caldas da Rainha onde pernoitei numa modesta Pensão, onde desde sempre fico, quando participo nesta clássica.
Levantei-me pelas 06h30 e às 06h50 já estava a tomar o pequeno almoço.
Carreguei a tralha na viatura e lá vou eu em direcção ao Campo da Feira, onde seria dada a partida por equipas, de 3 em 3 minutos.
Como ia individual, "encostei-me" a uma equipa e pelas 07h33 lá vou eu em direcção a Estremoz.
A primeira meia hora pedalei calma e descontraídamente, tanto mais que a equipa onde me tinha "hospedado" não era de grandes velocidades e quando senti o "motor aquecido" comecei a aumentar a velocidade.
Fui quase dos últimos a partir, pois já restavam apenas duas equipas para iniciarem o percurso e que tinham chegado um pouco atrazadas.
Durante a primeira metade do percurso fui passando muita malta, ora em equipas, ora isolados, não conseguindo desta vez encontrar uma roda que me garantisse um bom andamento, pelo que fiz quase todo o percurso em solitário, encostando aqui e alí, num ou noutro grupo para carregar baterias, pondo-me a "milhas" aumentando gradualmente a minha velocidade de cruzeiro, que desta vez, não foi lá grande coisa.
Até Rio Maior a coisa correu bem, o vento até ajudava, mas a partir daí, levantou-se vento um pouco forte e frontal, pelo que em determinada altura tive que retirar "o pé do acelerador" para não ser atacado pelo "homem da marreta"!!!
No primeiro dia, percorri a distância de 186 kms, passando por Rio Maior, Santarém, Almeirim, Raposa, Coruche, Mora, onde efectuei uma breve paragem para comer algo mais sólido, Pavia, Vimieiro e finalmente Estremoz.
Ainda assim cheguei ao final com a média de 31 kms/h
Fui dos primeiros a chegar ao Parqueamento junto à Câmara Municipal, também derivado ao facto de não ter perdido muito tempo em Mora e após arrumar a "asfáltica" dirigí-me de imediato à Pensão onde iria ficar alojado, para o banhinho retemperador.
Aproveitei para passar um pouco "pelas brasas" pois ainda era cedo e depois duma pequena volta com a família pelo quarteirão, fui até ao restaurante onde para completar o "abastecimento" me atirei a umas migas alentejanas com carne de alguidar. Que maravilha!!!
Não será a alimentação apropriada para ciclista, mas faz parte das minhas duas paixões. Andar de bike e comer!!! Não se pode ter tudo. Não consigo um "corpinho esbelto" mas ando com a barriguinha cheia. eh eh eh!!!
No segundo dia, partida marcada para a primeira equipa pelas 08h00.
Por essa hora já estava no local a preparar a "bicla" para mais uma aventura e pouco tempo depois lá parti encostado a outra equipa.
Mas hoje estava muito pior. Levantara-se uma grande ventania sempre de frente dificultando bastante a progressão.
A equipa onde me encostei ainda manteve um andamento vivo até Borba, mas a partir daí, foi um constante sobe e desce e eles quebraram bastante, pelo que resolvi fazer-me à estrada sózinho, enfrentando o vento que dificultou bastante a minha progressão, principalmente a longa subida para Elvas, que apesar de não ser muito inclinada, com o vento de frente e sem qualquer abrigo, moeu bastante.
A partir daí e até à fronteira do Caia, foi sempre em bom andamento.
Do Caia até ao "Pabellon Polideportivo de Badajoz" foi feito em pelotão guiado pela polícia espanhola e em andamento muito baixo.
Ainda assim, concluí os 59 kms do percurso à media de 29 kms/h.
Esta última etapa teve passagem em Borba e Elvas, com paragem na fronteira do Caia para regrupamento e entrada em Espanha em Pelotão.
No final houve banhinho quente no referido Pavilhão e entrega duma simbólica lembrança.
Findo o evento e após arrumar a "tralha" na viatura, desloquei-me ainda ao Cemitério Velho de Badajoz onde se encontra a campa do meu irmão, onde depuz um raminho de flores e lhe prestei uma singela homenagem.
De regresso a casa, acelerei até Campo Maior para almoçar no Restaurante do Jardim, onde me mandei a uma apetitosa sopinha de cação e um saboroso bacalhau assado no carvão com azeite e alho, que pôs término a esta minha participação em mais uma grande Clássica do Cicloturismo Nacional.
Para o ano, se as pernas me o permitirem, lá estarei novamente.
Fiquem bem
Vêmo-nos nos trilhos, ou tavez na estrada!!!
Até lá
AC

1 comentário:

Anónimo disse...

Amigo Cabaço,

Espectacular! este teu relato!(como nos já habituaste!)
...fico com uma certa vontade para começar a "comer" o asfalto... acho que cada vez mais é uma boa alternativa ao btt. Mas voltando à tua crónica... só me resta dizer PARABÉNS!!! deu para sentir o ambiente e a maneira descontraída como abordas estas "maratonas" e estes eventos... Abraço e vemo-nos por aí... nos trilhos!

Carlos Pio