quarta-feira, 11 de julho de 2012

Transpirenaica - "Roncesvalles - Etxalar"

Dia 13 - "Ronvescalles - Etxalar" - 75 kms.

Um bom "desayuno" no "comedor" da Posada, foi o início para mais uma dura etapa da travessia pirenaica, a penúltima, para atingir os longos areais de Hondaríbia e o "Tren Sud Express", em Irun, que nos traria de retorno a casa.
Começámos logo com a suave ascensão ao Puerto Ibañeta, que tão gratas recordações me trouxe da minha aventura de asfáltica de Castelo Branco a Lourdes (França) em 2002, recordando a lindíssma e adrenalínica descida do puerto a Arnéguy, a pequena povoação fronteiriça com ligação a S. Jean Pied Port, onde terminei essa já longínqua etapa.
Chegados ao alto de Ibañeta, o primeiro de referência para os peregrinos de Santiago, virámos à esquerda, sempre em ascensão, pedalando numa das mais importantes zonas de passagem de aves migratórias entre a Península Ibérica e o Norte da Europa.
Tinhamos já entrado em território Francês.
Seguiu-se uma longa e suave descida entre bonitos e sombrios bosques até Banca, povoação fronteiriça que nos fez entrar de novo em território espanhol.
A dura subida que tivemos que enfrentar ao Collado d'Ellorrieta, foi longa e brutal. A mais longa e esforçada deste dia. Quer pelas duras secções de pendente que tivemos que ultrapassar, quer pela beleza da sua paisagem, onde os longos e verdes prados se "espraiavam" até onde a nossa vista podia alcançar..
Estávamos agora a pedalar na zona de Baztan, famosa pelos seus magníficos e panorâmicos vales.
Parei  nas proximidades de um pequeno e abandonado refúgio de pastores, denominado  "El Bondazar" e numa fresca e abundante sombra, aproveitei para trocar as pastilhas de travão da minha esforçada Trek 6700, já gastas pelos kms percorridos e pela dureza do terreno.
Já com os discos mais aconchegados pelo novo kit de travões,  lancei-me com os meus companheiros na descida a Erratzu, por uns trilhos soberbos e onde pedalar dava um gozo imenso.
Passámos por Bozarte e parámos em Ordoki, onde almoçámos num típico restaurante, cuja sala se assemlhava a uma velha adega, transformada para o efeito.
Foi castiço e a ementa foi do nosso agrado.
Já com o papinho cheio subimos a mais um collado, noutra das caras dos Valles de Baztan, com uma ou outra subida com forte pendente, para depois, já lá no alto, nos rendermos à beleza dos imensos prados sulcados de pequenas manadas de cavalos selvagens, na sua maioria ponéis, em perfeito contraste com os profundos verdejantes vales, onde se acantonavam belíssimos "pueblos" de montanha.
Passámos anda nas proximidades de alguns bunkers provenientes das guerras napoleónicas, antes de começarmos a descer para Euskisaroi.
As grandes dificuldades já tinham ficado para trás e pedalávamos agora em direção a Etxalar.
Chegámos àquela bonita povoação e em vão procurámos alojamento.
Valeu-nos a proprietária do Bar onde abancáramos para bebericar umas fresquinhas "cañas" que nos indicou o Hotel Etxalar Spain, a cerca de 3 kms, onde acabámos por ficar alojados.
Faltava já uma única etapa para concluir este repto pirenaico. Os meus olhos ansiavam já por ver o mar, as minhas narinas por cheirar a sua maresia e os meus pés, pos sentir aquela fina, ou mesmo grossa areia, das extensas e belas praias de Hondarríbia.
Separavam-me desse ansiado momento apenas 56 kms, que ligariam a última montanha ao mar.

Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC


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