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"XIV Edição Serra Acima"

Pensamento:
"Com um rosto sorridente, o homem duplica a capacidade que possui..."
(autor desconhecido)
.o0o.
Mais um ano em que participei no evento "Serra Acima", já na sua 14ª. Edição.

1ª. Etapa, dia 15Set07 # Salvador - Belmonte
Cheguei a Salvador pouco depois das 12h, estacionei a "Jipose" e por ali andei à procura de caras conhecidas e "habitués" nestas andanças.
Este ano, o Álvaro acompanhou-me e para ele era o 2º. ano que se metia nesta aventura da Serra da Estrela, apesar de já me ter acompanhado outras vezes, nomeadamente às Serras de Madrid (Navacerrada, Cotos e Morcuera) e a Santiago de Compostela, com travessia das Serras do Barroso, Amarela, Peneda, Gerês e Soajo e a última ao Portilho de las Batuecas e Santuário de Nª. Sra de la Penha de Francia.
O almoço foi servido junto às instalações da Junta de Freguesia, debaixo de um sol tórrido e incómodo, sem qualquer sombra ali por perto.
Tivemos que comer mesmo ao sol a malguinha da sopa de grão e o franguinho, ou entremeada grelhada, ou ambos, era à escolha do freguês, acompanhados de uma saladinha de alface.
Pelo preço, não estava mal e estava bem confeccionado.
Após o almoço, fomos tomar café e preparar as biclas para a saída.
A minha filha mais velha também nos acompanhou e foi a motorista da "jipose", o nosso carro de apoio neste 1º. dia.
A partida foi dada pouco depois das 15h, com a voltinha inicial pelas ruas da aldeia, que eu me baldei, e lá seguimos em direcção a Belmonte, a passo de caracol.
Passámos por Aranhas, Sra do Bom Sucesso, Penamacor, Capinha, Caria e chegámos a Belmonte com 67 kms percorridos, lentamente, e com os pulsos doridos de tanto travar.
Para mim o mais importante deste evento cicloturístico é o 2º. dia, com a subida ao alto da Torre.


2º. Dia, dia 16Set07 # Belmonte - Alto da Torre (Serra da Estrela)
De manhã, quando me dirigia à garagem para preparar o carro para a viagem a Belmonte, fiquei um pouco frustado com o tempo.
Nas ruas ainda corria água da chuva que caíra durante a noite.
Estava a prever um dia muito doloroso com a subida à Torre.
É um pouco desumano para nós cicloturistas efectuar a subida nestas condições, com chuva, frio, ou ventos fortes e eu, já experimentei todas estas situações.
Mas foi falso alarme. A manhã em Belmonte estava óptima, algo fresca, mas depressa aqueceria.
Partida dada pelas 09h e os mais de 420 cicloturistas puseram-se em marcha enchendo a estrada dum colorido digno de ser ver, preparados para conquistar o cume mais alto de Portugal, cada um à sua maneira, cada um com o seu objectivo.
Eu mais o Álvaro, posicionámo-nos na cauda do pelotão, pois há companheiros que para eles, andar de bicicleta é andar sempre na frente, esquecendo-se que neste desporto, raramente os que andam à frente são os primeiros.
Sobretudo, com a serra não se brinca, quem abusa paga a factura.
A seguir a Valhelhas eu e o Álvaro parámos num café para tomarmos a bica, pois pela velocidade do pelotão, apesar de um pouco mais elevada que no dia anterior, dava certamente para colar novamente.
Já com o bucho aquecido, lá pusemos mãos à obra, neste caso, pés no pedal e com um andamento mais vivo lá ultrapassámos as dezenas de viaturas que compunham a caravana entrando no pelotão já próximo do Sameiro.
A partir de Manteigas era andamento livre.
A confusão era tanta que não poderiamos contar com o apoio das nossas viaturas para nos alimentarmos.
Eu, um pouco mais habituado a estas andanças que o Álvaro, quando passei pelo meu carro de apoio, na caravana, abasteci-me logo, em andamento e em Manteigas dispensei uma saqueta de gel ao Álvaro e toca a subir.
Logo no km inicial, junto ao viveiro das trutas, com uma inclinação de respeito, começou logo a fazer diferenças, incluindo o Álvaro que optou por abrandar um pouco o ritmo.
Eu ia-me a sentir bem e continuei ao meu ritmo sendo pouco depois alcançado pelo professor Leandro, que parecia que ia de mota em despique com um companheiro de camisola amarela e depressa me ganharam umas dezenas de metros.
Não quiz seguir na roda deles, pois ainda faltavam mais de 15 kms para o alto e conhecendo o Leandro, bem sabia que aquele andamento não iria durar durante muitos kms.
Fiz uma subida de trás para a frente, como gosto, atento às minhas sensações e controlando o pulsómetro.
Ultrapassei dezenas de companheiros que saíram primeiro, alguns com ritmos exagerados para a sua condição física e da malta de Castelo Branco lá os fui encontrando.
1º. o Manuel Luís que apenas ia fazer um pouco da subida, depois o Paulito com a sua pedalada elegante e mais à frente o Nuno, que apesar de ser portador dum corpo possante e que bem treinado arreliaria muita gente, não tem todavia treinado muitas vezes, segundo disse.
Em determinada altura lá vislumbro o Leandro ao longe, ainda acompanhado do companheiro de camisola amarela e como me sentia bem, resolvi começar a controlá-los e tentar ganhar terreno gradualmente, passando a ser o meu objectivo tentar alcançá-los se me continuasse a sentir bem como até alí.
Fui aumentando o ritmo sempre que o terreno o permitia e pouco depois do Parque de Campismo ultrapassei o companheiro da camisola amarela que já denotava bastante desgaste.
O Leandro não devia estar longe. Entretanto encostei a dois companheiros que iam com bom ritmo e aproveitei a boleia para recuperar um pouco e quando aqueles abrandaram ligeiramente, continuei sózinho até encostar ao Leandro logo a seguir à descida do Centro de Limpeza de Neve.
Quando cheguei junto dele apercebí-me pela pedalada que não ia muito bem e que poderia aproveitar a embalagem e ultrapassá-lo e de certeza que conseguia descolar e ganhar alguns metros, mas não o fiz, não era o meu objectivo e mantive-me algum tempo na roda dele.
Algumas centenas de metros mais à frente e com intenção de o ajudar, passei à frente para que seguisse na minha roda, o que aconteceu até chegar à recta final para a Torre, aí, o meu amigo Leandro resolveu dar tudo para me descolar e chegar isolado, mas a coisa correu-lhe mal. Eu não teria tido aquela atitude. Já estávamos no alto e aquele esforço extra era desnecessário, não havia nada para ganhar.
Enfim, cada um como cada qual!!!
O meu carro de apoio já só me encontrou próximo da Sra da Estrela e lá tirou a fotografia da praxe e esperou por mim na Torre.
Foram 49 kms de Belmonte ao alto da Torre, 20 dos quais bem amargos.
Depois da voltinha à rotunda para estabilizar, arrumei a bicla e a tralha, mudei de roupa e na companhia do Álvaro, da Isabel, esposa deste e da minha "Maria" e filha mais velha, abancámos num restaurante antes do Pião e já com o corpinho desenrugado, regressámos à cidade.
Para o ano e se tudo correr bem, lá estarei novamente.
Fiquem bem
AC
Terça feira, dia 18, há pedalada. Concentração pelas 08h na Pires Marques.
Até lá
AC

Comentários

BTTHAL disse…
Está visto que também no cicloturismo há sempre quem queira ser o primeiro nos passeios! EhEh!

É sempre agradável ler os relatos destas aventuras...especialmente contados na 1ª pessoa!

Na 3ª feira não vai haver pedalada para mim....pelo menos de manhã!

Abraço
João Valente

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