domingo, 16 de setembro de 2007

"XIV Edição Serra Acima"

Pensamento:
"Com um rosto sorridente, o homem duplica a capacidade que possui..."
(autor desconhecido)
.o0o.
Mais um ano em que participei no evento "Serra Acima", já na sua 14ª. Edição.

1ª. Etapa, dia 15Set07 # Salvador - Belmonte
Cheguei a Salvador pouco depois das 12h, estacionei a "Jipose" e por ali andei à procura de caras conhecidas e "habitués" nestas andanças.
Este ano, o Álvaro acompanhou-me e para ele era o 2º. ano que se metia nesta aventura da Serra da Estrela, apesar de já me ter acompanhado outras vezes, nomeadamente às Serras de Madrid (Navacerrada, Cotos e Morcuera) e a Santiago de Compostela, com travessia das Serras do Barroso, Amarela, Peneda, Gerês e Soajo e a última ao Portilho de las Batuecas e Santuário de Nª. Sra de la Penha de Francia.
O almoço foi servido junto às instalações da Junta de Freguesia, debaixo de um sol tórrido e incómodo, sem qualquer sombra ali por perto.
Tivemos que comer mesmo ao sol a malguinha da sopa de grão e o franguinho, ou entremeada grelhada, ou ambos, era à escolha do freguês, acompanhados de uma saladinha de alface.
Pelo preço, não estava mal e estava bem confeccionado.
Após o almoço, fomos tomar café e preparar as biclas para a saída.
A minha filha mais velha também nos acompanhou e foi a motorista da "jipose", o nosso carro de apoio neste 1º. dia.
A partida foi dada pouco depois das 15h, com a voltinha inicial pelas ruas da aldeia, que eu me baldei, e lá seguimos em direcção a Belmonte, a passo de caracol.
Passámos por Aranhas, Sra do Bom Sucesso, Penamacor, Capinha, Caria e chegámos a Belmonte com 67 kms percorridos, lentamente, e com os pulsos doridos de tanto travar.
Para mim o mais importante deste evento cicloturístico é o 2º. dia, com a subida ao alto da Torre.


2º. Dia, dia 16Set07 # Belmonte - Alto da Torre (Serra da Estrela)
De manhã, quando me dirigia à garagem para preparar o carro para a viagem a Belmonte, fiquei um pouco frustado com o tempo.
Nas ruas ainda corria água da chuva que caíra durante a noite.
Estava a prever um dia muito doloroso com a subida à Torre.
É um pouco desumano para nós cicloturistas efectuar a subida nestas condições, com chuva, frio, ou ventos fortes e eu, já experimentei todas estas situações.
Mas foi falso alarme. A manhã em Belmonte estava óptima, algo fresca, mas depressa aqueceria.
Partida dada pelas 09h e os mais de 420 cicloturistas puseram-se em marcha enchendo a estrada dum colorido digno de ser ver, preparados para conquistar o cume mais alto de Portugal, cada um à sua maneira, cada um com o seu objectivo.
Eu mais o Álvaro, posicionámo-nos na cauda do pelotão, pois há companheiros que para eles, andar de bicicleta é andar sempre na frente, esquecendo-se que neste desporto, raramente os que andam à frente são os primeiros.
Sobretudo, com a serra não se brinca, quem abusa paga a factura.
A seguir a Valhelhas eu e o Álvaro parámos num café para tomarmos a bica, pois pela velocidade do pelotão, apesar de um pouco mais elevada que no dia anterior, dava certamente para colar novamente.
Já com o bucho aquecido, lá pusemos mãos à obra, neste caso, pés no pedal e com um andamento mais vivo lá ultrapassámos as dezenas de viaturas que compunham a caravana entrando no pelotão já próximo do Sameiro.
A partir de Manteigas era andamento livre.
A confusão era tanta que não poderiamos contar com o apoio das nossas viaturas para nos alimentarmos.
Eu, um pouco mais habituado a estas andanças que o Álvaro, quando passei pelo meu carro de apoio, na caravana, abasteci-me logo, em andamento e em Manteigas dispensei uma saqueta de gel ao Álvaro e toca a subir.
Logo no km inicial, junto ao viveiro das trutas, com uma inclinação de respeito, começou logo a fazer diferenças, incluindo o Álvaro que optou por abrandar um pouco o ritmo.
Eu ia-me a sentir bem e continuei ao meu ritmo sendo pouco depois alcançado pelo professor Leandro, que parecia que ia de mota em despique com um companheiro de camisola amarela e depressa me ganharam umas dezenas de metros.
Não quiz seguir na roda deles, pois ainda faltavam mais de 15 kms para o alto e conhecendo o Leandro, bem sabia que aquele andamento não iria durar durante muitos kms.
Fiz uma subida de trás para a frente, como gosto, atento às minhas sensações e controlando o pulsómetro.
Ultrapassei dezenas de companheiros que saíram primeiro, alguns com ritmos exagerados para a sua condição física e da malta de Castelo Branco lá os fui encontrando.
1º. o Manuel Luís que apenas ia fazer um pouco da subida, depois o Paulito com a sua pedalada elegante e mais à frente o Nuno, que apesar de ser portador dum corpo possante e que bem treinado arreliaria muita gente, não tem todavia treinado muitas vezes, segundo disse.
Em determinada altura lá vislumbro o Leandro ao longe, ainda acompanhado do companheiro de camisola amarela e como me sentia bem, resolvi começar a controlá-los e tentar ganhar terreno gradualmente, passando a ser o meu objectivo tentar alcançá-los se me continuasse a sentir bem como até alí.
Fui aumentando o ritmo sempre que o terreno o permitia e pouco depois do Parque de Campismo ultrapassei o companheiro da camisola amarela que já denotava bastante desgaste.
O Leandro não devia estar longe. Entretanto encostei a dois companheiros que iam com bom ritmo e aproveitei a boleia para recuperar um pouco e quando aqueles abrandaram ligeiramente, continuei sózinho até encostar ao Leandro logo a seguir à descida do Centro de Limpeza de Neve.
Quando cheguei junto dele apercebí-me pela pedalada que não ia muito bem e que poderia aproveitar a embalagem e ultrapassá-lo e de certeza que conseguia descolar e ganhar alguns metros, mas não o fiz, não era o meu objectivo e mantive-me algum tempo na roda dele.
Algumas centenas de metros mais à frente e com intenção de o ajudar, passei à frente para que seguisse na minha roda, o que aconteceu até chegar à recta final para a Torre, aí, o meu amigo Leandro resolveu dar tudo para me descolar e chegar isolado, mas a coisa correu-lhe mal. Eu não teria tido aquela atitude. Já estávamos no alto e aquele esforço extra era desnecessário, não havia nada para ganhar.
Enfim, cada um como cada qual!!!
O meu carro de apoio já só me encontrou próximo da Sra da Estrela e lá tirou a fotografia da praxe e esperou por mim na Torre.
Foram 49 kms de Belmonte ao alto da Torre, 20 dos quais bem amargos.
Depois da voltinha à rotunda para estabilizar, arrumei a bicla e a tralha, mudei de roupa e na companhia do Álvaro, da Isabel, esposa deste e da minha "Maria" e filha mais velha, abancámos num restaurante antes do Pião e já com o corpinho desenrugado, regressámos à cidade.
Para o ano e se tudo correr bem, lá estarei novamente.
Fiquem bem
AC
Terça feira, dia 18, há pedalada. Concentração pelas 08h na Pires Marques.
Até lá
AC

1 comentário:

BTTHAL disse...

Está visto que também no cicloturismo há sempre quem queira ser o primeiro nos passeios! EhEh!

É sempre agradável ler os relatos destas aventuras...especialmente contados na 1ª pessoa!

Na 3ª feira não vai haver pedalada para mim....pelo menos de manhã!

Abraço
João Valente