quinta-feira, 16 de abril de 2015

"Passeio asfáltico pelo Rosmaninhal e encostas do Aravil"

Apesar da previsão de aguaceiros para hoje, logo pela manhã fui dar uma espreitadela pela janela da cozinha e a "coisa" agradou-me . . .parecia que vinha aí sol!
Preparei-me, vesti a licra e fui tomar o pequeno almoço. Olhei de novo pela janela e . . .c'um catano, agora está nevoeiro, que raio de treta esta, mas vou na mesma, disse para os meus botões.
Fui buscar a ézinha, sempre pronta para umas pedaladas e resolvemos ir até ao Rosmaninhal . . .uma aldeia enorme, antiga vila, de largas ruas e casas pobres, habitada por jornaleiros e alguns senhores que, sendo grandes possuidores de terra, não renunciaram à vida primitiva da lavoura. Do alto da igreja, a vista abrange uma área enorme de seara e montado, que demora entre o Tejo e o Erges, e alcança, passado o vinco destes rios, uma Espanha igualmente desolada. Trigo, centeio, pasto, coutos, arraiais, rebanhos e, nos matagais abandonados anos a fio, caça que pulula entre estevas e giestas. Também a estes maninhos chegam os serranos da Estrela a invernar, com rebanhos chocalhantes de ovelhas negras. O aspecto da região é extremamente rústico e isolado, uma espécie de Alentejo mais arcaico onde a lavoura rotineira mal conhece as inovações que são já a regra desta província. Uma gente de temperamento franco e hospitaleiro, mas rude e altivo, criada à lei da vida solta e dos horizontes largos, uma terra infinita que guarda nas entranhas esperanças e castigos, onde se embebem os olhos que o beirão verdadeiro costuma levantar mais alto." (Memória Portuguesa)

Abandonei a cidade pelas 07h30, tomando o rumo ao Ladoeiro, com passagem pelos Escalos de Baixo.
O nevoeiro turvava-me um pouco a visão, obrigando-me a tirar os óculos e colocá-los no capacete.
Até ao Ladoeiro, foi uma constante e a partir dali a manhã manteve-se bem farrusca, com a ameaça, aqui e ali, de umas pinguitas.
No Rosmaninhal parei no café "A Devezinha", onde calmamente beberiquei o cafezinho matinal . . .sem stress!
Nas calmas cruzei a aldeia, onde verifiquei algumas inovações. Já antes tinha reparado que o espaço junto à capela de S. Roque tinha sido alvo de intervenção, estando agora mais bonito e ajardinado.
O hotel agora restaurado e pintado de rosa, fica mais bonito e chamativo.
Parei junto ao monumento à grande rota da transumância para tirar um par de fotos e segui em direção ao Coto dos Correas, um belo povoado agora em rejuvenescimento com as obras de reconstrução de algumas casas típicas que se transformarão muito em breve em turismo rural, denominado "Casa dos Xarês". Um local bem aprazível, por certo!
Depois de uma breve paragem para apreciar as obras no local, segui para as Cegonhas, outra bela aldeia, bem maior e mais habitada, que cruzei para descer ao ao vale do Rio Aravil, que separa as terras de Idanha de Monforte da Beira.
Um bonito local, de paisagens únicas, por onde adoro passar nas minhas calmas e em modo contemplativo.
Subi ao Monte do Brejo, agora práticamente despejado de vida e segui para Monforte da Beira, hoje sem a habitual paragem no café do Joaquim Padeiro.
Nesta fase o sol lá ia fazendo algumas tentativas para se manter, mas em vão, mantendo-se a manhã acinzentada,mas ainda assim, com uma boa temperatura para a prática deste salutar desporto.
Até à velha e medieval ponte sobre o Rio Ponsul foi um instante, faltando só esfolar aquele "rabo", com a subida dos Enfestos e Sapateira.
Cheguei a casa pelas 11h45, com 100 kms pedalados por belas e panorâmicas estradinhas, ornamentadas por coloridas paisagens, apenas levemente condicionadas pela falta de luminosidade, mas ainda assim . . .fantásticas!
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC

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