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"Caminhos de Fátima/2013, o primeiro dia."

Pelo sexto ano consecutivo fiz a ligação de Castelo Branco a Fátima em Btt.
Nem sei bem o que me move a percorrer esta distância, (200 kms) se a sede de aventura, a mística de Fátima, ou quem sabe, a fé!
No primeiro ano fomos quatro, os pioneiros desta bicigrinação e este ano fomos nove, dois dos quais já "beatos", pois têm-me acompanhado desde a primeira vez, o João Afonso e o Zé Luís.
Os restantes bicigrinos foram o Álvaro Lourenço, o Nuno Eusébio, O Luís Lourenço, o Abílio Fidalgo (no segundo dia) e o Dário Falcão e Nuno Dias, estreantes nestes "caminhos da fé".
Todos os anos, desde a primeira vez, tenho tentado criar sempre um novo percurso. Até à data tenho conseguido, mas as alternativas vão escasseando.
Isto de tentar conhecer trilhos para uma ligação de 200 kms dá algum trabalho, requer dedicação e gosto por este desporto lúdico. Faço-o por carolice e porque sou viciado em aventura. A rotina põe-me doente tornando esta bonita modalidade pálida e doentia.
Para mim, praticar Btt ou ciclismo de estrada, não pode ser uma obrigação com horários quase pré definidos. É um "bichinho" que vive comigo e me move em busca de evasão e emoções.
A idade já vai limitando um pouco a vontade, mas ainda vai decorrer muito tempo até que esta se extinga . . . assim espero!!!
Este ano de 2013 e como sempre, saí da minha garagem rumo ao Rossio ao Sul do Tejo pelas 06h30.
O Álvaro Lourenço e o Dário Falcão partiram comigo e junto à ponte da Carapalha juntou-se-nos o Nuno Dias.
O João Afonso aguardava-nos junto à rotunda da Quinta Dr. Beirão e os restantes companheiros, o Nuno Eusébio, o Luís Lourenço e o Zé Luís junto às instalações da Decatlhon.
A noite esperava já ansiosa os primeiros raios solares mas a escuridão ainda nos acompanhou até ao cruzamento para as Benquerenças, onde a aurora nos mostrava já claridade suficiente para pedalar rumo a Fátima.
Com alguma neblina a acompanhar-nos, passámos a Represa, Amarelos e Sarnadas de Rodão para lá mais à frente nos divertirmos um pouco com o primeiro single da jornada, um par de kms antes de chegarmos à entrada da Atalaia.
Depois de algum sobe e desce, descemos de vez à barragem do Açafal, sempre bonita vista lá da cumeada.
Para abrilhantar um pouco este trecho, um corpulento veado correu uma centena de metros à nossa frente encosta abaixo.
Cruzámos a Ribeira do Açafal pela bonita e abandonada ponte medieval, para seguirmos em direção a Vila Velha de Rodão, onde estava programada a primeira paragem para o segundo pequeno almoço.
A rapaziada não desperdiçou e comeu uns bolinhos e salgados, alguns acabadinhos de fazer, que nos deliciaram.
A maior dificuldade do dia em termos de pendente estava já a seguir, com a subida à Portela do Atalho pela Quinta da Roda.
Logo no início e com o piso algo escorregadio ainda me sentei no chão.
Já no alto seguimos pela cumeada para seguidamente cruzarmos a N.18 para a Tapada do Lavacho e, entre olivais, chegámos ao Monte do Pardo.
Deixámos a aldeia pedalando num bonito single track pela Horta do Curralinho e pelo velho estradão, tomámos o rumo à Velada.
Saídos da aldeia, entrámos noutro single track em zona de pastiço e, depois de contornarmos alguns eucaliptais, entrámos no Chão da Velha pela Tapada dos Vales.
Na fonte da aldeia refrescámo-nos, atestámos bidons e camelbags e continuámos para a Tapada do Raposo e Couto do Coutão, para entrarmos depois no pequeno lugar de Montes Matos, onde o Álvaro começou a ter alguns problemas com a sua pedaleira que começou a fazer "chupões", derivado ao desgaste e terra acumulados, criando-lhe alguns problemas.
Passámos pela Falagueira e cruzámos a N.359, passando sob a IP2.
Aqui, o Álvaro já "arreliado" com a pedaleira, entrou em contato com o Fidalgo que se iria juntar a nós ao final do dia, para lhe levar um prato pedaleiro de reposição e a respetiva ferramenta.
Entrámos depois num largo estradão que depois de passar pela bonita monte medieval sobre a Ribeira de Figueiró, levou-nos até Vila Flor, uma pequena e castiça aldeia, cujo ex-libris são as ruinas da torre sineira da antiga igreja matriz daquela singela povoação.
Até à Amieira do Tejo foi um saltinho e ali tínhamos previamente preparado um frugal almoço, composto por um par de bifanas na Sociedade Educativa Amieirense.
Ainda antes de nos chegarmos ao petisco, fomos fazer uma visita à bonita e altaneira Capela do Calvário, erigida por vontade expressa de Vaz Caldeira, sargento-mor da Amieira, segundo nos foi contado por um indivíduo, que por vocação, segundo disse, ali passava grande parte do tempo informando e promovendo aquele bonito monumento da sua terra.
Já com um par de bifanas cada um no "bandulho", deixámos aquela bonita povoação contornando as Hortas de S. João em direção à Atalaia e cruzando a Ribeira da Aguinha, passamos pelo Monte do Bloco Velho e alto do Vale da Cruz.
Já estávamos às portas do Gavião e depois de passarmos pelas aldeias das Degracias, Fundeiras e Cimeiras, maioritariamente por trilhos entres velhas paredes, divertimo-nos num espetacular single track até à Quinta do Carvalhal, antes de atacar a subida à vila.
Mais uma paragem para nos sequiarmos e seguimos para o Cadafaz, continuando pela Portela da Barrada e Vale das Bouças, com paragem lá no alto para apreciar a bonita panorâmica sobre a Barragem de Belever e Vale do Tejo.
A descida ao abandonado arraial do Monte do Termo foi feita em alta velocidade. A malta estava animada e divertida!
Continuámos pedalando agora em direção à Casa Branca, quando recebi um telefonema do Fidalgo a informar que tinha acabado de passar pelo Gavião e que levava "um docinho" para a malta.
Esperou-nos em Alvega, onde chegámos pouco depois.
O Fidalgo, "aquele companheiro que a gente sabe", presenteou-nos com umas bjecas frescas e uns nacos de presunto e rodelas de chouriço para acompanhar. Que maravilha!!! Veio mesmo a calhar.
Agora, havia que continuar, pois a seção de trilhos que se seguia era para "curtir"!
Um pouco mais à frente cruzámos a N.118 e seguimos algum tempo paralelos à linha férrea com a Central Termoelétrica do Pego a um passo.
Descemos para junto da margem esquerda do Rio Tejo depois de passar a Galhoufa e Vale da Rola para alguns kms mais à frente, voltarmos a subir até aos Facheiros.
Mais uns kms e nova abordagem à margem esquerda do Tejo. Depois de passar o Vale da Figueira e Espinhal, onde "brincámos" numa bonita sequência de trilhos, enriquecidos com um soberbo par de single tracks, voltamos ao alto.
Passámos na proximidade das instalações da Fábrica de Laticínios da Marofa e depois de passar a Quinta dos Coalhos, chegámos ao asfalto, já nas proximidade da passagem de nível que dá acesso ao Rossio ao Sul de Abrantes.
Voltámos pela derradeira vez, neste dia, a encostar ao Tejo, com a passagem pela Aquapólis, antes de nos dirigirmos à Pensão Residencial Vera Cruz, onde ficámos alojados.
Arrumadas as bikes e tomado o banhinho retemperador, fomos jantar no restaurante da pensão, onde comemos e bebemos, quase que posso dizer, "sem dó nem piedade!!!"
Já com as medidas corporais restabelecidas, fomos então dar o nosso passeiozinho higiénico até ao bar esplanada da Aquapólis, onde no "calor da noite", estivemos algum tempo numa divertida tertúlia, antes de irmos ao encontro do "vale dos lençóis", pois no dia seguinte, haviam mais 75 kms para pedalar, rumo ao Altar de Fátima.
Para trás ficaram 126 kms de bonitos trilhos, fantásticas paisagens, risos e gargalhadas e momentos divertidos, ficando aquela doce sensação de conquista, à qual teríamos ainda que juntar a do dia seguinte!
 
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC
 
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