Avançar para o conteúdo principal

"Caminhos de Fátima/2013 - o último dia"

Na continuação da narrativa desta nossa bicigrinação completámos a segunda e última etapa no passado dia 06 de Outubro.
Como previamente combinado, levantámo-nos pelas 06h para irmos tomar o pequeno almoço a uma pastelaria que distava apenas duas centenas de metros da pensão onde ficamos alojados.
Trouxemos logo os sacos para ficarem na viatura do Fidalgo e fomos tomar o pequeno almoço.
Carregámos as bikes que tinham ficado guardados numa sala do primeiro andar, preparámos o material, oleámos correntes e partimos em direção ao Altar de Fátima.
O sol ainda se espreguiçava e a forte neblina matinal teimava em deixar-nos ver a beleza da cidade, a acordar acomodada naquele imponente "cabeço".
O Rio Tejo, também ele envolto naquele branco lençol, apenas deixava ouvir um pequeno ruído da água a fluir em direção à sua foz, enquanto alguns pescadores tentavam a sua sorte no percurso de pesca defronte à Aquapólis.
Depois de cruzarmos a ponte, encetámos a longa subida ao Castelo de Abrantes, por ruas e ruelas, todas com pendente "idónea".
Alcançamos os jardins que ladeiam o castelo e as bonitas paisagens que dali ansiávamos descortinar, foram substituídas por uma imagem surreal criada pela neblina e pelas longínquas chaminés da Central Termoelétrica do Pego que rompiam aquele mar de nuvens.
Foi um momento único!
Descemos em direção ao quartel e passada a Abrançalha, virámos à esquerda para a zona dos milharais rumo a Constância.
Passámos pela Casa da Preta, Quinta da Barca e Quinta da Capela, antes de entrarmos em Rio de Moinhos, onde tomámos o estradão em direção ao rio, pedalando no trilho do GR.12 pelos milharais da Terra Fria até Constância
Em Constância, parámos no café esplanada do jardim junto ao rio, para nos refrescarmos e descansar um pouco.
Depois de alguns momentos de bom humor, continuámos as nossas pedaladas cruzando a ponte sobre o Rio Zêzere em direção a Casal dos Pintainhos e, maioritariamente por estradões, fomos passando Vale da Roda, Ferrolhoa, Vale das Éguas, Vale do Ebra, Vale da Maia, Sabugueiro, Lamarosa e Pé de Cão, onde parámos um pouco para atestar bidons e camelbacks, numa casa particular, por cortesia da sua proprietária que amavelmente nos ofereceu água.
Se até então tudo tinha sido facilidade, por trilhos e estradões sem pendentes de relevo, a partir daqui, a coisa iria mudar um pouco de figura.
Seguimos para Vargos e parámos num café no Outeiro Grande para uma última bebida.
A última dificuldade do dia em termos de ascensão estava a aproximar-se com a nossa chegada á Rechaldia, onde enfrentámos uma subida com pendente considerável à Capela da Sra da Serra. Valeu-nos o fato de ser em asfalto.
Estávamos já no bonito Parque Natural da Serra d'Aires e Candeeiros.
O terreno mudou e a pedra foi aparecendo gradualmente, com algumas passagens um pouco mais técnicas, mas do agrado da rapaziada.
As Trapadas, Cabeço das Fraguinhas, Cabeço da Carrasqueira, Vale Chão da Mendiga e Cruto das Cavalarias, foram os locais de passagem antes de chegarmos à povoação do Bairro, onde desta vez não chegámos a entrar.
À semelhança do ano transato, divertimo-nos por varios single tracks, alguns bem curtidos, antes de chegarmos à Via Sacra dos Valinhos que visitámos em parte, antes de entrar em Fátima.
A ansiada chegada ao parque nº.2 deu-se a "bater" as 15h00 com as famílias já à nossa espera aplaudindo a nossa chegada.
É sempre um momento único e de emoções, mais para uns que outros, mas um momento que sempre fica registado nas nossas memórias.
Depois do banhinho tomado num dos balneários do santuário, seguiu-se a degustação das merendas com  que os nossos familiares nos presentearam e que foi o pretexto para um fantástico momento de convívio, camaradagem e companheirismo.
Não se falou de médias horárias, acumulados nem provas ( o que quer que isso seja!). Nem necessitámos de dorsais nas bikes para indicar que somos peregrinos, nem tshirts tendenciosas a publicitar a "coisa"! Somos de coração! isso basta-nos!
Pedalámos, conhecemos novos lugares, novas paisagens e outras gentes.
Cantámos, assobiámos, brincámos e disparámos "larachas" em todas as direções.
Em suma, divertimo-nos, praticámos um dos nossos desportos preferidos, testámos os nossos limites de forma racional e fomos mais uma vez até ao altar de Fátima, sem que esta nossa bicigrinação tivesse que ser mais um troféu para espalhar aos ventos, alimentando egos.
No final, passeámo-nos pelo santuário, uns assistindo à homilia, outros colocando velas no tocheiro pedindo à santa bênçãos para familiares e amigos. Outros, simplesmente se dedicaram à visita daquele santo lugar.
Uns regressaram mais cedo, outros mais tarde.
Assim  se cumpriu mais um ano de ligação Castelo Branco - Fátima em Btt, acompanhado dum bom "lote" de amigos a quem agradeço a excelente companhia.
BEM HAJAM!!!
 
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC
 
Filme.
 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Passeio de moto pelo Alto Douro Vinhateiro"

"O que é bonito neste mundo, e anima, é ver que na vindima de cada sonho fica a cepa a sonhar outra aventura."
(Miguel Torga)
Com a  excelente companhia dos amigos Luís Miguel, João de Deus e Marta Farias, fomos "desbravar" algumas das encantadoras estradinhas panorâmicas do Alto Douro Vinhateiro.
A saída foi programada para as 07h00 e, já na companhia do Luís Miguel, fomos até Penamacor, onde o João e a Marta já nos aguardavam junto às bombas de combustíveis locais.
Já agrupados rumamos ao norte cruzando Meimoa, Vale da Srª da Povoa, Terreiro das Bruxas, Santo Estevão e Sabugal.
A partir desta vila e com a bonita visão do seu famoso castelo das cinco quinas, entramos em terras de Ribacoa, onde o frescura matinal nos atormentou um pouco e nos fez reconhecer que o verão já lá vai e as temperaturas vão já sofrendo metamorfoses, sobretudo em algumas zonas e, esta é uma delas.
Logo após abandonarmos o Sabugal, viramos à direita para as Quintas de S. Bartolomeu e por Rap…

"Uma visita a Belgais"

Ontem foi dia de passeio asfáltico em solitário e decidi ir fazer uma visita a Belgais.
Apesar da ameaça de chuva da meteorologia, quando espreitei pela janela, o dia estava bastante bonito e solarengo. Bora lá pedalar!!!  Vesti o fatinho de licra e fui buscar a minha "ézinha", que está sempre prontinha para ser montada .  . por mim, claro, nada de confusões!!! Eram 9h00 quando me fiz à estrada em direção aos Escalos de Baixo. Pedalada calma, de cabeça levantada e a apreciar tudo o que se passava em meu redor . . . como eu gosto. Quando chego a casa gosto de ter sempre algo para contar sobre o que vi e não apenas os dados contabilizados pelo meu ciclo computador ou aplicação do telemóvel. Nos Escalos de Baixo parei no Café "O Lanche" e ali bebi o cafezinho matinal, enquanto trocava umas palavras com o João, ficando a saber que o antigo Restaurante "O Chafariz" vai por ele ser reaberto, lá para o final deste mês, início de Novembro, mantendo o belo leitão …

"Asfáltica vadia por terras de Ribacoa"

"Se formos felizes por dentro, nada nos aprisionará por fora"
Ontem e mais uma vez com a agradável companhia do Jorge Varetas, fomos dar uma volta de bicicleta por Terras de Ribacoa, com partida e chegada na bonita vila beirã do Sabugal, situada num pequeno planalto da Serra da Malcata. Com o caudal do Rio Coa a seus pés, acolhe-se à sombra do seu esbelto e forte castelo medieval das 5 quinas, como é conhecido. Pelas 06h30 abandonamos a cidade rumo àquela vila beirã e pelas 08h30 dávamos início à nossa pequena aventura velocipédica rumo às Termas do Cró, com passagem pelas Quintas de São Bartolomeu e Rapoula do Coa. Fomos dar uma espreitadela à fachada das termas recentemente reabilitadas, com hotel, SPA e balneário termal. Fomos depois até Cerdeira do Coa, onde paramos após cruzarmos Peroficó. Não consigo resistir a uma paragem nesta localidade para apreciar aquele encantador local do Rio Noémi e a sua espetacular ponte românica de seis arcos. Tive que mostrar aquele lugar …