segunda-feira, 28 de outubro de 2013

"Natureza selvagem"

Não resisto a uma boa jornada de aventura e evasão.
A previsão para o passado domingo era animadora e com ela, a vontade de ir vadiar com a minha "santa" começou a tomar forma.
Tenho uns quantos trilhos em outras quantas zonas para editar, como costumo chamar-lhe.
Escolhi desta vez o bonito Alentejo e como local de partida e chegada, a belíssima vila de Castelo de Vide.
Convidei o meu irmão Luís para esta aventura e acabaram por se juntar a nós o Nuno Eusébio e o Zé Luís, que vieram animar e enriquecer ainda mais esta voltinha vadia.
O meu irmão foi diretamente da Sertã para Castelo de Vide e eu e o Zé Luís fomos na viatura do Nuno Eusébio.
Juntámo-nos na Pastelaria Sol Nascente e começámos a manhã com uns "kisses", pastel xxl tradicional de nata e gila, que acompanhámos com o cafezinho da praxe.
Preparámos as bikes e restante material e partimos à aventura, em busca de novos trilhos e outras paragens.
Saimos da vila por uma das suas estreitas ruelas e entrámos na estrada que segue para a Beirã, para umas centenas de metros mais à frente, num desvio à esquerda, entrarmos nos estradões panorâmicos que servem as inúmeras quintas da região.
Passámos o Moinho de Vento e Ribeiro da Goleiba e seguimos em direção ao Rio Sever, contornando o Cancho da Moita, Alto do Corregedor, Monte do Cadaval, Monte do Garriancho e Tapada Grande, entre outros.
Chegámos à Herdade da Meada e parámos junto ao seu enorme menir, considerado o maior da Península Ibérica, com os seus 7,5 metros e 18 toneladas de peso.
Ali tirámos uma foto de grupo, para mais tarde recordar e fizemos-nos de novo aos trilhos.
Depois de umas engraçadas pedaladas em zona de planície, encontrámos a Ribeira de Vide, seguindo-a, sempre junto à sua margem esquerda, até á sua foz, no internacional Rio Sever.
A paisagem foi mudando radicalmente, onde o único vestígio da civilização passou a ser uma extensa aramada que delimitava uma enorme reserva turística, junto às linhas de água por onde pedalávamos. As construções desapareceram, mesmo as de outrora e a única vida que por ali encontrámos foram duas manadas de veados, que nos encheram o olho. Como é diferente vê-los no seu estado selvagem. Espetacular.
A zona era essencialmente montanhosa e os trilhos, nas sua maioria sem vestígio de passagem de outros veículos, enchiam-nos a alma e davam-nos um prazer imenso por pedalarmos naquela zona tão inóspita.
Chegámos à foz da Ribeira de Vide e ali encontrámos um belo e aprazível recanto. Muito bonito.
Uma mesa ali foi construída com um pequeno assador de serventia foi o que encontrámos naquele paradisíaco local.
Talvez construído por caçadores ou pescadores, portugueses ou espanhóis, vá-se lá saber!
Absorvemos aquela energia selvagem enquanto "devorávamos" uma sandocha!"
Antes de continuarmos, o Nuno Eusébio teve de dar o seu mergulho em águas internacionais e relaxar os músculos para o restante percurso, que não se avizinhava nada fácil.
Já ladeando o Rio Sever, seguíamos agora o seu curso em direção à Barragem de Cedillo, a sua foz no Rio Tejo.
Com as últimas chuvadas os caudais dos rio e ribeiras aumentaram significativamente o seu volume.
O caudal do Rio Sever era um deles e cantava pelas rochas e açudes pelo seu curvilíneo percurso. Era magia para os nossos olhos e adrenalina para os nossos sentidos.
Por ali, nem vivalma. Nem um barulho que nos indicasse algo que se identificasse com a civilização.
Chegámos á foz da Ribeira de S. João e ali mudámos o nosso rumo, seguindo agora em sentido inverso, sempre ladeando esta bonita ribeira de volumoso caudal até á zona dos Barrinhos.
Durante o percurso já efetuado, encontrámos inúmeras ossadas de veados e o meu irmão e o Zé Luís, acabaram por trazer dois crânios com as respetivas hastes para recordação.
Como o Zé Luís não levava mochila, lá teve o meu irmão que vir carregado com uma carrada de "cornos" ajeitados de qualquer forma ao seu camelback.
Subimos ao VG do Malabrigo e descemos para a Quinta da Cerejeira.
Já com a serra onde se encontra disposta a Vila de Castelo de Vide a mostrar-se no horizonte e com o terreno a ficar mais plano, passámos ainda pelo Monte do Pomarinho, Monte da Sardinheira, Sanguinhal, Quarteleiros e Vale do Pereiro.
Já estávamos à entrada da Vila e faltva ainda a última dificuldade para terminarmos esta bonita aventura. A calçada medieval de acesso a um dos portais da muralha.
Não era nada fácil e sobretudo já com os kms e acumulado que trazíamos nas pernas.
No Brejo começámos a subir para a formosa vila culminando por uma espetacular calçada medieval e entrando na povoação por uma das sua portas ogivais descemos à praça principal por uma estreita ruela, cheia de encanto e beleza.
Depois de arrumar as bikes e restante material, voltámos à pastelaria Por do Sol, não para devorar novo Kisse, mas desta vez, optámos por uma suculenta sopa de legumes e um prego grelhado no pão, que acompanhámos com umas "jolas."
Assim terminou mais uma das minhas voltinhas vadias, desta vez acompanhado pelo meu irmão e amigos Zé Luís e Nuno Eusébio.
Foram 61 kms de belos trilhos, paisagens maravilhosas, locais idílicos num ambiente inóspito e natureza selvagem.
Depois das despedidas, o meu irmão regressou à Sertã e nós a Castelo Branco, deixando no ar a promessa de novas aventuras.
 
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC

Clip de filme:
 

1 comentário:

Silvério disse...

Grande e bonita volta, com direito a recordações materiais e tudo, para além das que vêm na alma e na retina.
Abraço
Silvério