sexta-feira, 17 de julho de 2015

"Ruta de Tajo/GR113 - 5º. e último dia - Fuentidueña de Tajo-Toledo"

Depois de cruzar as agrestes serranias dos Montes Universais, Serra de Albarracin e a Alcarria, chegamos ao último dia desta nossa aventuras por terras de Aragão e Castilha la Mancha, com a ligação de Fuentidueña de Tajo à medieval cidade de Toledo.
Sempre ladeando o Rio Tejo, agora já bem "encorpado", saímos de Fuentidueña de Tajo cedinho, como habitual e tomamos o rumo a Villamanrique de Tajo cruzando essencialmente terras de lavoura, sendo o nosso entretenimento principal ver as largas dezenas de coelhos que corriam à nossa frente, saindo das zonas plantadas, ou semeadas, em direção às tocas nas laterais do caminho. Um espetáculo!
Cruzarmos Villamanique e seguimos pelo trilho da "senda ecológica de la Ribera del Tajo" , quase sempre com o rio à vista, até cruzarmos uma ponte de madeira, para entrarmos depois numa zona de colinas entre vales de cultivo.
Os trilhos, essencialmente rolantes, permitiram-nos ganhar tempo para cumprirmos os 125 kms desta ultima etapa.
Chegamos à bela cidade de Aranjuez e paramos na Plaza de Parejas, onde se encontra o impressionante Palácio Real.
Mesmo defonte ao palácio havia uma zona de bares e restaurantes, onde paramos para comer um belo bocadillo e beber um par de cañas fresquinhas, enquanto admirávamos aquela brutal arquitetura.
Já saciados e ainda com uns bons kms para chegar ao destino, continuamos a nossa aventura, agora com destino a Villamejor, um pequeno lugarejo, onde finalmente encontramos água, pois já vinhamos sedentos desde há uns bons kms atrás, com o calor a fazer mossa. A temperatura superava os 40 graus, o que foi uma constante desde o meio da manhã.
Depois de lavar a cara e atestar os bidons, propusemo-nos chegar a Toledo ainda a horas de conseguirmos rumar a Castelo Branco, por isso tinhamos de chegar pela hora de almoço.
Os nossos amigos Constantino e Santiago iam ao nosso encontro com a carrinha do meu irmão, que tinha ficado guarda nos arredores de Madrid e iriam esperar-nos junto à portaria da Estação.
Mas quando tudo estava a correr bem e já quase avistávamos Toledo, fomos surpreendidos por uma tromba de água, pois havia várias nuvens de trovoada na zona, que nos deixou em segundos, como pintainhos. Molhadinhos até ao osso.
Para ajudar a "coisa", foi logo num local onde nada havia para nos abrigarmos. Tivemos que continuar a pedalar debaixo daquela tromba de água que logo se transformou em granizo.
O granizo parecia agulhas a cravarem-se no corpo e o barulho que fazia ao embaterem no capacete até assustava. Foi um momento menos bom, mas que superamos com aquele espírito que nos caracteriza.
Entretanto acalmou a tempestade e entramos finalmente em Toledo pela zona industrial.
De repente, nova tromba de água, mas desta vez conseguimos livrar outra molha, refugiando-nos num bar restaurante, onde aproveitamos para almoçar com uns "bocadillos e unas cañas".
Com o almoço no papo, cruzamos a zona industrial da cidade e entramos na "Ruta de D. Quixote", uma rota que ladeia parte da cidade, entre esta e o Rio Tejo.
Chegamos finalmente à estação ferroviária, onde fomos a encontro dos nossos amigos Constantino e Santiago.
Depois dos cumprimentos e uns momentos de conversa, metemos as bikes e restante material na viatura do meu irmão, despedimo-nos daqueles bons amigos, com a promessa de nos voltarmos a encontrar e regressamos a Portugal e a Castelo Branco, onde chegamos ainda a horas de jantar em família.
Foi uma bonita aventura, com partida de Albarracin, perto da nascente do Rio Tejo.
Visitamos a nascente e ali recolhemos uma proveta com água, para mais tarde despejarmos no Mar da Palha, a foz do rio que vimos nascer e acompanhamos durante mais de 500 kms.
Acompanhamos o rio na zona alta,  onde este corre rápido com as suas águas límpidas e de um verde e azul turqueza, entre paisagens de montanha dominadas por penhascos de corte rochoso, vestidos de zimbro e pinheiros bravos. 
Cruzamos profundos vales com grandes florestas de pinheiros negros, campos agrícolas e extensos olivais.
Sofremos bastante em zonas de grande ascendente, divertimo-nos nos inúmeros e longos single tracks, convivemos com gentes em remotas aldeias, desfrutámos de paisagens únicas e locais épicos e sobretudo, ficamos mais ricos na cultura e no conhecimento com mais esta nossa singela aventura.
Quando houver oportunidade, iremos desfrutar da segunda parte da Grande Rota do Tejo, ligando Toledo a Cedillo, já aqui às portas da nossa cidade.
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC 

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