segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"Memórias da Maratona Perdida"

Folheando a Revista B, deparei com este texto do Nuno Neves e com o qual me identifico plenamente!!!
Talvez seja já um daqueles "caras" que não percebem nada destas novas formas de andar de bike, ou talvez, a outra geração a que ainda pertenço, esteja a afetar a minha visão da "coisa"!!!
Mas o fato, é que gosto mesmo de andar de bicicleta, ou melhor, adoro andar de bicicleta, e por isso, não resisto a transcrever para este meu cantinho na blogosfera, este "profundo" texto do Nuno Neves!!!
. . . JÁ LÁ VAI O TEMPO em que a palavra maratona de BTT significava uma prova de superação pessoal em que o objetivo era conseguir chegar ao fim, demorasse o tempo que demorasse, tendo como elementos de motivação a diversão, a companhia dos amigos e a beleza dos locais percorridos.
A partir do momento em que o relógio entrou nas maratonas, estas perderam o encanto, a inocência e o romantismo de outro tempo. As maratonas transformaram-se em aglomerados de pessoas, obcecadas em terminar o mais rápidamente possível, sempre com os olhos fixos no guiador. Deixou de ser importante o desafio, a cumplicidade com os amigos e com os locais por onde se passa. Passaram a ser mais importantes as marcações do percurso, os abastecimentos, os banhos e os jerseys. Passou a ser obrigatório ir a algumas maratonas, pelo simples fato de serem muito populares e levarem muita gente. Não ir remete ao silêncio as conversas de Segunda Feira, ao final do dia na loja das bicicletas, sobre assuntos do género; O Zé que empenou, o Luís que ficou em 142º lugar, mas que ainda ficou 23 lugares à frente do João, que se fartou de treinar. . .
As maratonas tornaram-se desprovidas de caráter, amorfas e perfeitos martírios. Passaram a ser um prolongamento da semana de trabalho, contribuindo ainda mais para os níveis de stress. O relógio apoderou-se das maratonas como uma doença: há que acabar, o mais rápidamente possível! São os colegas à espera, o almoço, as fitas a tirar e o lixo a limpar. . .
Muitas maratonas passam por locais lindíssimos, alguns deles propriedade privada, que só através destes eventos se tornam acessíveis para a prática do BTT. É de reconhecer o esforço de muitos organizadores em mostrar e dar a conhecer o melhor das suas terras. Pena é que, face à evolução que as maratonas tiveram, já poucos usufruam dessas belezas.
Estou convito que o importante não é chegar, é o caminho que se percorre para lá chegar.
Conversar com os amigos enquanto se pedala, apreciar a Natureza, sentir o cheiro da terra, sentir o corpo em piloto automático quando as forças já se foram, são sensações únicas e que fazem sentir que andar de bicicleta é evasão e diversão. Estas memórias, sim, perduram no tempo.
Não sei se me perdi ou se a maratona me perdeu mas, por tudo isto, estas maratonas já não são para mim.
Fiquem bem
Vêmo-nos nos trilhos
. . . ou fora deles.
AC

2 comentários:

João Afonso disse...

Concordo plenamente e assino por baixo.
BOAS FESTAS.
1 abraÇo.

Unidos Pelo Pedal disse...

Inteiramente de acordo companheiro do pedal.
Sou, isto é era, um participante assíduo de maratonas. Comecei a repara de facto que o espírito de companheiro estava ausente e deixei de participar em muitas delas pois o que procurava afinal não estava lá. Comecei areparar que mesmo os colegas de "equipa" competiam entre si e nºao se via o espirito de entre ajuda quando existia ume mepeno, uma caimbra ou seja o factor humano estava a ficar para trás.

Revejo-me nesse post apesar que continuo a gostar de maratonas mas agora apenas 2 ou 3 as faço mesmo com os amigos do pedal. As outras ficam para os outros falarem nas segundas-feiras e se vangloriarem de que ficaram á frente 10 minutos do colega...
Boas pedaladas
Ricardo Tavares
Unidos Pelo Pedal-Sanguedo