sábado, 10 de janeiro de 2015

"Passeio pela Sierra de Gata"

Ontem foi dia de volta vadia!
Tinha ficado com a vontade de ir dar uma espreitadela nos trilhos da "Ruta us Madroñus" organizada pela Asociacion Deportiva Valverdeña em 16Nov2014.
Na companhia do Vasco Soares, rumámos a Valverde del Fresno pelas 07h30, depois de carregar as bikes e restante material na minha "fragonete".
Durante a viagem era bem visivel o grande geadão que cobria os campos e mesmo a estrada, sobretudo depois de Penamacor.
Mas, para nossa surpresa, em Valverde estava um lindíssimo dia de sol, mais ao jeito primaveril, que propriamente de inverno. A coisa prometia!
Depois de preparados para "atacar" os trilhos, fomos primeiramente até ao Restaurante Laura, logo ali a uns escassos metros e "injetamos" a matinal dose de cafeína, à espanhola, "solo", aguado e de gosto duvidoso! Mas bem . . . era café e, pelo menos, eliminamos esse vício matinal temporariamente.
Iniciamos o percurso logo em subida que se alongaria durante dez longos kms até ao Alto del Pizarrón.
Enquanto íamos ganhando altitude íamos ficando embevecidos com a brutal paisagem absorvida pelos nossos olhos nos imensos cumes e vales daquela zona serragatina, onde a neblina lhe dava um fascinante tom azulado.
Para mim, só esta primeira parte já valia a deslocação.
Conquistado o Alto del Pizarrón, seguimos pela cumeada que delimita Portugal e Espanha, podendo agora apreciar uma boa panorâmica sobre a Serra da Malcata. Abrindo as pernas, estávamos praticamente com uma perna em cada país.
Seguimos o trilho da cumeada que nos levou até ao Alto do Vale de Espinho, sempre rodeados de brutais paisagens, onde fletimos à esquerda para um estradão que seguia para os lados da Quinta do Major.
Durante cerca de sete kms foi descer e descer até chegarmos ao ribeiro que contorna parte das faldas da Serra da Malvana.
Rodeado de grandes medronheiros, alguns ainda com frutos, onde ainda me deliciei saboreando alguns, o estradão acompanhava o ribeiro por uma curva de nivel que nos levou até à zona de Zahurdón, onde nos embrenhamos numa sequência de trilhos bem catitas, entre estevais e olivais, até chegarmos à estrada que liga Penamacor a Valverde.
Aí cruzamos o ribeiro e voltamos aos trilhos, para contornarmos o Monte dos Agachados e voltarmos a cruzar a estrada seguindo agora para o Valle de la Viga em direção ao Rio Eljas.
Chegamos ao rio e os estradões transformaram-se em múltiplos single tracks, cada um mais espetacular que o outro.
Depois de cruzar o rio Eljas pela ponte, pedalamos durante algum tempo pela sua margem esquerda, onde o verde era a cor predominante. Muito bonito.
Depois de uma passagem não ciclavel, onde durante alguns metros tivemos que carregar as bikes, continuamos a ladear o Rio Eljas, que abandonámos mais à frente, para nos embrenharmos numa zona de olivais, em constante sobe e desce.
Com a aldeia de Eljas mesmo à nossa frente, abandonamos o estradão e entramos numa zona de barrocal e carvalhos, onde a diversão atingiu o auge com uma seção de single tracks com algumas passagens já a exigir alguma técnica, que me deixou a arfar, não de cansaço, mas de emoção. Estava ganho o dia . . . como se costuma dizer.
A aldeia de Eljas cravada na encosta da serra, era quase uma miragem. Mais à esquerda, a de Valverde del Fresno, indicava-nos que estávamos já no final da nossa aventura. Estávamos satisfeitos! O dia esteve sempre estupendo, com um sol quentinho e os trilhos despejados de gelo, com exceção de um par de curvas antes da Casa de Campo.
Teve que ser. Tivemos que abandonar os singles e fazermo-nos à estrada, a última seção antes de entramos de novo em Valverde.
Voltamos a carregar as bikes na "fragonete", vestimos a fatiota de viagem e estacionamos defronte do Restaurante Laura para comer algo mais sólido.
Um belo bocadillo de jamon, de york para o Vasco e um par de "cañas con limon", repuseram parte das calorias perdidas e puseram-nos em condição de regressarmos ao local de partida. Antes, mais uns cafés "solos" para tirar o gosto daquele pão espanhol esquisito, que nós por aqui conhecemos como pão de chapada.
No final, contabilizámos 64 kms de remansada pedalada, uma bonita aventura, muita diversão e mais uma manhã de vadiagem à minha moda.

Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles
AC

Video:-
 

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