sexta-feira, 8 de julho de 2011

"Pedrogão Pequeno - Piodão"

A convite do meu amigo Pedro Ferrão, fui ontem, acompanhado do Silvério, dar umas pedaladas até à lindíssima aldeia de xisto de Piodão, acantonada num dos bonitos vales da Serra do Açor.
A partida foi de Pedrogão Pequeno, para onde me desloquei logo de manhã cedo.
Pelas 07h45, partimos então para mais esta nossa aventura pela Serra do Açor.
Efetuámos a primeira paragem logo em Pedrogão Grande, para o cafézinho da manhã.

Tomava o cafézinho e mordiscava um saboroso croissant de chocolate e tinha ainda na memória aquela imagem ainda obscurecida da Barragem do Cabril, onde pouco tempo antes tinha passado.
Vieram-me à memória, tempos idos, em que ali passara de bicicleta numa etapa do Ciclo -Brevet Caldas da Rainha - Cória, (Espanha) na ligação Ansião - Castelo Branco.
Na passagem pela seguinte aldeia, o humor animou as nossas pedaladas, com a passagem pela Venda da Gaita e logo a seguir a passagem por um café à beira da estrada, cujo nome me chamou a atenção . . . Café "A Picha"!!! Estávamnos a passar na povoação com aquele nome peculiar.
Passado aquele momento de humor, continuámos a nossa aventura, descendo para a ribeira da Mega, com a sua bonita praia fluvial, para pouco depois arfarmos um pouco com a primeira subida do dia ao Alto da Louriceira.
Mal sabíamos nós o que ainda nos esperava, apesar de estarmos conscientes de que pedalar até Piodão, não era pêra doce.
Depois de Álvares, seguiu-se uma longa subida, de cerca de 20 kms até ao Alto do Cadafaz, para depois de breve descanso, afrontar-mos nova subida até à estação eléctrica.
Seguiram-se alguns kms mais calmos. Isto em termos de orografia do terreno, pois o vento, que soprava com fortes rajadas, criava-nos bastante dificuldade em manter-nos em cima da bike. Foi mesmo complicado manter a bike na faixa de rodagem nalgumas situações. Foi uma pena não podermos aproveitar algumas descidas com bom piso, derivado ao vento, que não só nos complicou as descidas, como aumentou bastante a dificuldade nas subidas.
Antes da Aldeia de Fajão, uma pequena confusão com o track gps, levou-nos a descer àquela aldeia e posteriormente à Ponte de Fajão.
Bonita e arrebatadora, aquela estradinha panorâmica. Mas mal sabíamos nós o que nos esperava!!! A partir dali, uma longa subida de cerca de sete kms, com pendentes de 16%. Até me doía o coração, já para não falar das pernas, só de olhar para o gps. 13, 14, 15, 16%, e esta "gaita" nunca mais acaba. Chiça!!!
De facto, acabámos por poucar 10 kms ao track inicial, mas . . . minhas ricas perninhas!!!
Da próxima vez, se me convidarem e me disserem que o percurso é por ali, vou desculpar-me e dizer que espero a visita da sogra nesse fim de semana. eh eh eh!!!
Mas até aqui, ainda a procissão ía no adro. Até Piodão, ainda afrontámos algumas boas subidas, mas . . . aquelas magnânimas paisagens, aqueles vales ainda verdejantes, com imensas aldeias cravadas pelas suas encostas e vales, faziam-nos esquecer as dificuldades do percurso. E na parte que me toca, ainda bem que tive a oportunidade, através do amigo Ferrão, de por ali pedalar.
Enchi o peito de ar puro, a alma e a retina, com aquela imensidão de paisagem e o meu "ego", com mais esta aventura, que vou guardar no meu cantinho de boas recordações, que irei "ruminar" mais tarde, quando as pernitas se começarem a negar em levar-me até estes bonitos locais.
Mas, quando cheguei lá ao alto e deparei com aquela estradinha bastante curvilínia, que terminava naquele bonito triângulo de casinhas de xisto, cravado num dos vales da Serra do Açor, veio-me logo à memória, a primeira vez que ali cheguei, aquando de uma outra aventura de Btt, pelas Aldeias Históricas (GR22).
Ficámos todos parados durante algum tempo, apreciando aquele bonito "postal ilustrado".
Passado aquele momento, descemos à aldeia e "abancámos" numa das esplanadas para saborearmos um prego no pão e umas bebidas frescas.
Mas saír dali, estava um pouco difícil. De cada vez que olhávamos em frente, dávamos de caras com aquela terrível subida. Já tinha feito parte dela de btt, mas agora tinha que a fazer na totalidade com a fininha. "Bora lá", não poderia custar mais do que já "sofreramos até ali!!!
A frio, depois da paragem, lá a fomos conquistando, calmamente, até que chegámos a alto.
O percurso, seria o mesmo, agora em sentido inverso.
Ao chegarmos ao topo, entre os vales das aldeias da Relva Velha e Parrozelos, resolvemos seguir o track original, que nos mandava seguir pela direita.
Estradinha panorâmica, sombreada por frescos carvalhos, as mesmas fantásticas paisagens, estava a gostar.
Seguíamos sempre à meia encosta por uma curva de nível, mas de repente, começámos a descer e bem.
Foram kms de descida até ao Casal Novo. Pois bem!!!. Se na ida, a indecisão em Fajão nos levou a ultrapassar rampas de 16%, agora no regresso, esta decisão, "brindou-nos" com uma brutal e muito longa subida ao alto do Ceiroquinho, onde a pendente se manteve sempre acima dos dois dígitos e com dois pares de curvas, onde o meu "aparelhómetro" marcou 18%.
Custou um bocadinho, mas a envolvente paisagística, superou e em muito, a pendente.
A partir dalí, as descidas começaram a ser em maior número que as subidas . . . e ainda bem . . . já merecíamos um pouco de descanso. Pena o vento não nos deixar o pleno "gozo" daquelas descidas curvilíneas. De vez em quando lá ía pregando um susto à rapaziada, mas tudo bem!!!
Chegados de novo a Pedrogão, o Grande, fomos até uma churrasqueira, bebemos uma bebida fresca e encomendámos um par de frangos, para devorarmos um pouco mais à frente.
Tomámos seguidamente o rumo a Pedrogão, agora sim, o Pequeno, de onde partíramos umas quantas horas antes, com a mente o espírito e o corpinho, ávidos de aventura.
Um pouco difícil, foi um facto. Mas era isto que eu esperava e, no fundo queria!!! Mas aquela envolvente paisagística, aquela interminável "plantação" de éolicas espalhadas pela Serra do Açôr e que nós fomos "driblando" por aquelas estradinhas de montanha, lá bem pelo alto, não deixam ninguém indiferente, nem nenhum corpinho em "bom estado", mas isso passa e nós queremos é mais aventura. Amigo Ferrão, trata lá disso. eh eh eh!!!
Entretanto o Ferrão foi buscar os "galináceos", já tostadinhos, enquanto nós arrumávamos o material e no final, foi uma pequena tertúlia devorando o saboroso frango e degustando um bom vinho "Lusitano", enquanto punhamos a conversa em dia.
No final, um pequeno serão de conversa trivial, um até um dia destes e o regresso à cidade, após este maravilhoso dia de pedaladas, foram o final deste dia de convívio e aventura entre bons amigos.
Foram 166 kms pedalados pelas estradas da Serra do Açor, num dia atípico, um pouco frio e ventoso, com visita á lindíssima aldeia histórica de Piodão, onde as dificuldades, quer na ida, quer no regresso e o volumoso acumulado positivo, não conseguiram superar, de forma alguma, a excelente companhia destes bons amigos e as maravilhosas paisagens de montanha que tive a oportunidade de apreciar.
A Canyon Ultimate CF SLX Team, a minha actual companheira de pedaladas durante algum tempo, teve, também ela, um dia em cheio.
Já tinha feito com uma outra bike do mesmo modelo, uma "investida" na Serra da Estrela e fiquei deveras satisfeito com a sua performance.
Agora, mais 166 kms pela inquestionável beleza das panorâmicas estradas da Serra do Açor, deixaram-me agarrado a esta bike.
A sua levesa, a forma como "agarra" a estrada e a sua performance, sobretudo quando a esta empina e a facilidade com que curva, mesmo em curvas fechadas, levaram a que me soltasse um pouco mais a descer e a tirar mais prazer nessa vertente.
Amanhã, vai de novo ser a minha companheira em mais uma pequena aventura pela Serra da Estrela.
Com uma primeira subida pela vertente de Manteigas à Torre, descida para Seia e continuando até Gouveia, subirei de novo à Serra, desta vez às Penhas Douradas, para depois apreciar o belíssimo Vale Glaciar do Zêzere, com a espetacular visão sobre Manteigas, onde terminarei de novo esta aventura, acompanhando alguns amigos, que tiveram a amabilidade de me convidar.
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos
. . . ou fora deles.
AC

3 comentários:

Ferrão disse...

Foi de facto um dia muito bem passado e um empeno à antiga minorado apenas pela excelente companhia. O António e o Silvério são dois óptimos companheiros de pedal. Ao desafiar o António para esta volta a resposta não se fez esperar -em que dia? para melhorar a coisa trouxe o Silvério. Estão ambos em grande forma (principalmente o António, cuja preparação segue a bom ritmo) ficando o empeno do dia para mim :)
Relembro só uma frase do Silvério que exemplifica isto mesmo; a certa altura dizia ele -normalmente vai-se puxando à vez, mas com o António não é preciso.

Pinto Infante disse...

Era capaz de dizer que te reformas-te muito cedo!!!
valente potência de vida ainda tens para estas saudáveis parvoeiras...e com a companhia do Silvério, melhor ainda.
desde já e se não te vir desejo a maior prueza para Suiça/Castelo Branco. se te vir bebemos uma(S)e lavamos um pouco de roupa suja...
grande abraço
Pinto Infante

Silvério disse...

Só agora!
Isto de empeno atrás de empeno seguido do bulício da grande Lisboa, mar, etc, não deu para ser antes!
Se estivesse a falar apenas para os meus companheiros de sofrimento, digo, de passeio, diria:
Palavras para quê!
Como sei que assim não é, apenas uma palavra: DIVINAL!
Um agradecimento especial ao Pedro Ferrão por me facilitar, através do António, a possibilidade de passear com a minha amante mais elegante por lugares tão poéticos!
É verdade! Todo o passeio, o jantar e o pós jantar, num lugar que eu classifico de idílico, compuseram uma verdadeira poesia!
Um abraço e até à próxima página.
Silvério