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Transpirenaica - "El Pont de Suert - Escalona"

Dia 9 - "El Pont de Suert - Escalona" - 93 Kms

Esta etapa, foi no meu entender, uma das mais bonitas desta dura travessia pirenaica.
Logo pela manhã, havia que resolver o problema dos travões da bike do Bruno.
A hipótse Aramonbike, empresa promotora do "Pirinèes Epic Trail", com sede em El Pont de Suert, tinha saído gorada. Ao contrário do que deram a entender, não dispensaram os travões da bike usada que tinham para venda e exposta na montra da sede da empresa.
Restava  a hipótese dos betêtistas do CEM (Centro de Emergência Médica), quase todos motoristas de ambulâncias e sediado no Polígono Industrial a cerca de dois kms da povoação.
A esperança era de que tivessem algum material usado, ou de reposição, onde constasse uns travões.
Desta vez a sorte foi nossa amiga. Um dos elementos tinha um par de travões XT, já descontinuados e que vendeu por 100 euros.
Lá montámos os travões. O Bruno pagou, agradecemos e continuámos a nossa etapa com a bike do Bruno já a travar "decentemente".
Começámos a abandonar a verdejante Catalunha e a entrar nos Pirinéus Aragoneses. Pedalávamos em direção a Bonansa.
Passámos pelo bonito Bosque de Pregà e, já no alto, começámos a vislumbrar o bonito Vale d'Aran.
Descemos ligeiramente a Bonansa e parámos no Bar com o mesmo nome, onde degustámos uns suculentos "bocadillos calientes de bacon e pan con tomate", acompanhados de umas loiras "cañas", que cairam que nem ginjas.
Subimos ao Puerto de Bonansa por asfalto e descemos ao Vale d'Espés com a Sierra de Escané a acompanhar-nos lá ao longe.
À vista da bonita e altaneira povoação de Espés, virámos à esquerda para uma longa, dura e penosa subida, em piso bastante pedregoso e com alguns pequenos drops, até ao Collado com o mesmo nome.
Durante a subida, a visão sobre o Congosto d'Obarra e o Maciço de Posets - Maladeta era fantástica.
À medida que íamos avançando iamos vendo paisagens cada vez mais alpinas, com imensos e verdejantes vales, guardados pela imponente cúpula do Turbon e outras belas serras pirenaicas.
Depois de uma curta e adrenalínica descida, a paragem foi quase obrigatória.
À nossa frente estendia-se o brutal Vale de Gabás, ladeado pelo espetacular Posets-Maladeta e Peña Montanhesa. Um regalo para a vista!!!
Descemos a Seira por uma fabulosa trialeira, onde parámos no bar junto à central elétrica, para repor calorias e hidratar.
Já um pouco repostos do desgaste, descemos por asfalto a fantástica Represa e central Elétrica dÁrgonè e subimos a Senz e Viu.
Aqui, encetámos uma dura e difícil subida ao Collado de Cullibert, um local  quase saído de histórias de encantar. Simplesmente fabuloso e que já conhecia, por já por ali ter andado no passado ano.
De novo o Turbón e a Peña Montañesa a encherem-nos as vistas com paisagens magnânimas.
Não me apetecia nada abandonar aquele local. Ainda por ali me mantive alguns minutos sentado naquele imenso prado apreciando tão bonitas paisagens. Mas tinha que continuar!!!
Seguiu-se um adrenalínico e perigoso single track junto a uma ravina que mais à frente se transformou numa excelente trialeira com zonas bastante técnicas que nos levou até Laspuña, onde mais uma vez arregalámos os olhos com a panorâmica sobre os Vales de l'Hortacho e La Garona..
Depois de passarmos a Ermida de Satué, enfrentámos nova e longa subida ao Collado de Cerezo, com os olhos postos no magnífico Puerto de Solana.
Consoante íamos subindo o arrepiante Maciço de la Cotiella ía-se agigantando aos nossos olhos e deixando ver, lá nas profundezas o seus bonitos Vales de Laspuña e Cinca. Um espetáculo.
O Parque Natural de Ordesa ao nosso alcance.
Uma louca e ziguezagueante descida cheia de pedra roliça e milhares de mosquitos, foram o nosso último obstáculo, antes de chegar a Escalona.
Tive mesmo que parar um par de vezes para limpar os óculos e os braços e pernas daquela praga.
Após cruzarmos o Rio Cinca, entrámos finalmente em Escalona, final da nossa etapa, após 93 desgastantes, duros e adrenalínicos kms, recheados de trilhos e paisagens fantásticas.
Pedalámos por paragens bastante solitárias e muito pouco habitadas. A sensação de "pequenez" e de pedalar por tais paragens, tão cedo não vou esquecer.

Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos,
ou fora deles.
AC





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