Avançar para o conteúdo principal

"Dia 4 . . .Da Playa de Cirro a Betanzos"

Depois de uma noite bem dormida no bungalow do Camping Velo-Mar a escassa dezenas de metros da Playa de Cirro, preparámos as bikes e os alforges que carregámos nas ditas, e pusemo-nos a caminho.
Tivemos desta vez que arrancar a seco, pois ainda não havia "desayunos" no camping.
Desta vez, o dia amanheceu brilhante, a antever um belo dia solarengo, apenas contrariado pela acentuada subida que tivemos que vencer antes de chegar ao Souto, onde entrámos na verdejante floresta.
O aquecimento foi rápido e o suor chegou cedo aos nossos corpinhos.
Com a passagem por Fontán, pequeno "poblado" sem qualquer boteco onde pudéssemos tomar o pequeno almoço, chegámos finalmente a Sada, uma bonita cidade costeira, terra de pescadores, escarpas abruptas, praias virgens e castros ocultos, onde finalmente conseguimos "desayunar" numa simpática pastelaria.
Cruzámos depois o seu bonito porto marítimo e rumámos a A Insua, depois de passar por Pedrido, com a sua espetacular enseada, onde o Rio Anllóns despeja as suas águas e se une ao Atlântico.
Deixamos A Insua, contornado a baía e seguimos para a Ponte do Porco, Miño, Rio de Bañobre, Perbes, Ventosa, Vizus e Pontedeume, numa primeira passagem, pois dirigíamo-nos a Ferrol, ao encontro do Km 0 do Caminho Inglês de Santiago.
Seguiu-se Cabañas, Madalena, Vilar do Colo, Chamoso e Foxas, cruzando depois a Ria de Ferrol pela sua bonita Ponte das Rias.
Já estávamos em Ferrol e quase sempre paralelos à ria, lá chegámos ao Porto Marítimo de Coruxeiras, onde do outro lado, junto à esplanada do café aí existente, encontrámos o marco, onde se encontra a placa que indica o km 0 e ponto de início do Caminho Inglês de Santiago.
Subimos por uma estreita rua empedrada e lá no alto, junto ao jardim, com uma bela panorâmica sobre a ria, resolvemos parar para almoçar, na esplanada de um bar ai existente.
A placa indicativa de "raciones, bocadillos, etc" é sinal de paragem, quando chega a hora de ajeitar o estomago com comidinha.
E assim foi. O "Raxo", a nossa comida oficial desta aventura galega, voltou à mesa, acompanhada das belas "cañas". Só que desta vez, o dono, talvez por analfabetismo, ou pensando que eramos "camones", ou portuguesitos de 3ª., cobrou umas "cañas" a mais, apresentando uma fatura, onde todas as parcelas tinham o mesmo nome "varios".
Tive de o chamar à atenção, e este, sem mais nada, devolveu o dinheiro cobrado a mais ao meu irmão, que tinha já pago a fatura.
Chiça, já não se pode andar mal vestido!!!
Saímos dali e cruzámos parte de Ferrol por ruas "pedonais" e voltámos a descer à zona ribeirinha,  contornando a Ria de Ferrol até Neda.
Afastámo-nos de Neda em direção a Fene, com umas bonitas passagens em passadiços de madeira e voltámos a ter a ria como companheira, desta vez a de Ares, que depois de passar novamente por Foxas e Chamoso, passámos através da sua ponte, para entrar depois em Pontedeume, uma bonita vila de passado medieval, situada na foz do Rio Eume e na encosta do Monte Breamo.
Cruzada a ponte, passamos pelo estreito arco e vencemos a forte subida através das suas ruelas intermináveis.
Após esta longa e suada subida, continuámos em direção a Miño, onde já tínhamos passado algumas horas atrás.
A partir da Ponte do Porco, afastámo-nos definitivamente do trajeto que trazíamos desde a Playa de Cirro e começamos a entrar no interior.
As subidas passaram a ser constantes e sucediam-se umas às outras, com maior ou menor inclinação.
O final do dia aproximava-se, assim como nós nos aproximávamos de Betanzos, onde chegamos após passagem por Montecelo, para chegar à sua bonita Praza dos Irmáns Garcia Naveira.
Betanzos foi batizada pelo romanos como "Brigantiun".  Situa-se numa colina onde antigamente se encontrava um castro, ao fundo da Ria de Betanzos, onde a água do mar se funde com a doce dos Rios Mandeo e Mendo. Foi uma das sete capitais do Antigo Reino da Galiza e está declarada conjunto histórico - artístico.
Acabámos por ficar no Albergue Casa da Pescaderia, seguindo as placas desde a "Praza" e ali perto.
Ficamos bem alojados no primeiro piso, quase só para nós, acabando por também vir a ser ocupado por quatro portuguesas que estava a fazer o caminho a pé.
Mal demos por elas. Chegaram tarde e saíram cedo! A única recordação que ainda tenho das mesmas é que lhes dispensei um gel recuperante, pois uma delas vinha um pouco em "mau estado" e da roncaria que fizeram duramente toda a noite.
Como o albergue fechava portas às 22h00 e quem não estivesse, ficava na rua, fomos tratar da "janta" numa das ruelas junto à praça principal, onde abancámos num castiço bar, de ambiente bem acolhedor e nos despedimos da nossa comida oficial, o "Raxo".
Um excelente dia de aventura, com entrada já no Caminho Inglês, que inciámos e Ferrol e que se caracteriza sobretudo pelo verde dos seus bosques.
Fizémos neste dia 105 kms, alcançando em pleno os nossos objetivos.
Para o dia seguinte e último da nossa passagem por terras galegas, faltavam só 75 kms para entrarmos finalmente na imponente Plaza de Obradoiro e na grandiosa Catedral de Cantiago de Compostela.

Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Rota do Bucho/2016"

Pelo segundo ano consecutivo, resolvi editar a Rota do Bucho, com um passeio pelos trilhos de Malpica do Tejo, uma bonita aldeia onde tenho raízes, que termina à mesa com um belo bucho de ossos à boa moda malpiqueira. Convidei um "magote" de amigos, dos quais dezasseis disseram presente. O ponto de reunião, foi desta vez na Pastelaria Cantinho dos Sabores, na Rotunda da Racha, onde tomamos o cafézinho matinal. Pelas 08h20 partimos em pelotão auto rumo a Malpica do Tejo, onde o Rui e a Sandra Tapadas já nos aguardavam. A previsão era de vento forte e alguns aguaceiros e desta vez o S. Pedro não nos "despontou", mandou mesmo umas belas rajadas de vento e umas belas bátegas de água, que nos atingiram por três vezes, um pouco no início desta pequena aventura, sensivelmente a meio, quando estávamos à vista de um local de abrigo, a aldeia de Lentiscais e no final, em jeito de banho. Pelas 09h00, como planeado, abandonávamos a aldeia rumo ao Monte do Couto do Alberto, en…

"Hoje fomos à romaria"

A manhã acordou hoje límpida e solarenga, num bom incentivo para um bom par de pedaladas asfálticas. Quando saí da garagem já o Álvaro e o Leandro me esperavam. Juntos fomos até à Rotunda das Violetas, ao encontro do Luís Lourenço e do Nuno Eusébio. Pouco depois chegou o Jorge Palma. Para não perder a prática tive ainda que mudar a câmara de ar da minha roda traseira que vinha com um pequeno furo, originado por uma limalha. Já com a "ézinha" pronta a rodar, fizemo-nos à estrada, abandonando a cidade pela Milhã, rumo ao Juncal do Campo pela estradinha panorâmica da Quinta de Valverde. Cruzamos a aldeia e entroncamos na N.12, onde fletimos à direita, rumo ao Padrão, uma pequena aldeia que este fim de semana se encontra engalanada para a festa da Nossa Senhora da Saúde. Entramos na aldeia e fomos tomar o cafezinho matinal no bar junto ao adro da igreja, gentilmente servido por um senhor, creio que festeiro, que fez questão de oferecer os cafezinhos e que agradecemos. Descemos …

Alvaiade, Perdigão e Vila Velha de Rodão"

Hoje, com um pelotão mais numeroso, fomos tomar o cafézinho matinal à Bolaria Rodense, em Vila Velha de Rodão. Abandonamos a cidade pouco depois das 08h30 e rumamos ao Perdigão, com passagem por Sarnadas de Rodão e Alvaiade. Seguimos depois pela estradinha panorâmica que liga o Perdigão a Vila Velha de Rodão, usufruindo da bonitas paisagens sobre a Serra das Talhadas e Vilas Ruivas. Depois da pequena tertúlia na Bolaria Rodense e já com os níveis repostos, rumamos à cidade, com passagem pelo Coxerro e Sarnadas. Aqui voltamos a encontrar o Joaquim Cabarrão e o Salvado, que deram uma volta mais pequena e juntos seguimos até à entrada da cidade, onde nos voltamos a separar, pois o restante grupo foi pela variante à Carapalha. Numa manhã já bem primaveril, alinharam para esta bonita volta, além de mim, o Jorge Palma, Tó Pinto, Fernando "Caraíbas", Sr. Silva, António Leandro e o João Salavessa.  Foram 75 kms, repletos de divertidas pedaladas, na companhia deste animado grupo de …