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"Pelas serranias do Açor e da Estrela"

Ontem foi dia de volta vadia pelas bonitas serranias da serra do Açor e passagem pelas faldas da Serra da Estrela.
Acompanharam-me nesta aventura, o Álvaro Lourenço e o Nuno Eusébio.
Saímos de Castelo Branco pelas 06h45 em direção a Silvares, o nosso local de partida e chegada, junto à igreja matriz.
Um passeio projetado para percorrer algumas das mais emblemáticas estradinhas da Serra do Açôr e visitar algumas das suas emblemáticas aldeias.
Pelas 08h00 fizemo-nos à estrada em direção à Barroca, com passagem por S. Martinho.
Na Barroca deixamos a N.238 e descemos a Dornelas do Zêzere, acompanhando o Rio Zêzere durante algum tempo.
Ali tomamos o cafézinho matinal num bonito recanto, a "Princesa do Zêzere" continuando depois até à Portela de Unhais, enfrentando a primeira grande subida do dia, com passagem pelo Pisão, Carregal, Machialinho e Selada Porta.
Consoante íamos ganhando altitude, a paisagen ia.nos distraindo e dando uma perspectiva do que nos esperava ao longo do percurso.
Na Portela paramos no café "Mira Serra" para comer algo mais sólido e beber uma bebida fresca. Apesar do vento que nos ia acompanhando, com mais ou menos intensidade,  o calor já dava um arzinho da sua graça.
Descemos depois a Unhais-o-Velho e demos início a uma outra boa e longa subida em direção ao parque eólico, por onde iríamos descer à aldeia da Covanca, um buraquinho duro de roer, com a sua terrível subida, que aumenta ainda mais a partir da Fórnea.
Valeu-nos a impressionante paisagem criada junto às margens do Rio Ceira, que cruzamos à saída da Covanca e fomos perdendo de vista consoante ganhávamos altitude e ultrapassávamos lentamente as suas curvas em S's.
Novamente no alto e ladeando o parque eólico por uma curva de nível, as constantes paragens eram quase obrigatórias para registar as imponentes paisagens montanhosas com as bonitas aldeias serranas cravadas nas suas encostas, ou dispersas pelos verdejantes vales.
Em determinada altura e numa viragem à direita deparámo-nos com uma vertiginosa e curvilínea descida até Piodão. Uma paisagem quase surreal, que nos fez parar para apreciar calmamente aquela maravilha da natureza. Simplesmente fabuloso.
Naquela histórica aldeia, talvez a mais bonita de todas elas e a que chamam de presépio, foi o local escolhido para um frugal almoço, constituído por um bem composto "pica-pau" e umas bjecas a acompanhar. Ficamos atisfeitos.
Como quando ando nas minhas voltas vadias ando sempre com a visão periférica em alerta máximo, não pude deixar de registar uma estradinha que sobe a partir de Piodão, muito estreita e onde duas viaturas práticamente não se cruzam e que vai até Chãs d'Égua. Tinha que a esperimentar e ontem foi o dia.
Muito dura e com uma pendente a fazer-nos utilizar o máximo da transmissão da nossa bicicleta, mas fabulosa, com os seus vários Z's bem acentuados, que num momento de distração, quase que não conseguiríamos curvar. havia que puxar pela alma.
Custou um bocadinho, mas a malta que me acompanhava tinha compleição guerreira, não por serem esbeltos ou bem musculados, mas pelo espírito, pela entrega e pelo gozo que lhes dava ultrapassar aquela dificuldade. A brutal panorâmica sobre todo o vale e as montanhas adjacentes quase nos faziam esquecer que aquilo até custava um bocadinho.
E lá chegamos a Chãs d'Égua, uma outra aldeia serrana cravada à meia encosta na encantadora Serra do Açôr.
Segundo a tradição popular, a origem do nome Chãs d’Égua deve-se ao facto de, aquando do povoamento romano serem criadas nas chãs, local rico em água e associado à exploração de minérios, éguas destinadas a serem atreladas nos carros de desporto e combate.
Descemos depois até à Foz da Égua, situada na  confluência das ribeiras de Chãs com a do Piódão que correm para o Rio Alvoco. Um local encantador e muito ansiado pela malta pela mística que dali advém.
Estas duas aldeias são caracterizadas pelo seu aspecto rural serrano, com as suas típicas casas de xisto e lousa, circundadas por uma natureza quase em estado puro e partilham a sua beleza mística da Serra do Açor. 
A geomorfologia do território decerto dificultou a vida dos seus habitantes. Para praticar a agricultura, foi necessário adaptar o terreno, criar condições para a ocupação de subsistência. Construíram-se muros de suporte às terras, os cômoros e cultivou-se em socalcos. 
Depois de olharmos atentamente toda a beleza do local, onde se destaca a sua pequena praia fluvial e a ponte suspensa, registamos o momento fotográficamente e fomos até Vide, com passagem pelas pequenas aldeias de Casas Figueiras, Casal Vitoreiro e  Malhada Cilhas.
Em Vide a estrada melhorou substancialmente e de pequenas estradinhas, por vezes com mau piso, passamos a pedalar por boa estrada, mas larga e já nas faldas da Serra da Estrêla, com uma paisagem já diferente, muito mais escassa em vegetação e arborização, mas ainda assim com muita beleza.
Subimos em pendente suave até ao Alto da Teixeira, com passagem pela Barriosa e fomos até ao alto das Pedras Lavradas, onde viramos o azimute ao Sobral de S. Miguel.
Voltamos ao piso irregular. Passamos ainda pelas Giesteiras, Casegas e Ourondo, antes de entrar novamente em Silvares, onde horas antes tinhamos partido em busca de aventura e diversão pedalando por belas e miticas estradinhas, aldeias serranas, cheias de magia e encantadoras, rodeados de soberbas paisagens, cantinhos únicos e uma brutal panorâmica cheio de belos contrastes.
Ladeado de bons companheiros de aventura, percorremos juntos os 110 kms a que nos propusemos, com mais ou menos dificuldade, mas sempre superada com aquele espírito que carateriza quem anda de bicicleta pela sua vertente lúdica, pela ambição de uma boa aventura e sobretudo pelo excelente companheirismo que complementa estas singelas carateristicas.
 Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC

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