terça-feira, 7 de outubro de 2014

"A outra face da Serra da Lousã"

Já programada há algum tempo, esta aventura pela Serra da Lousã, tinha como objetivo conhecer a outra face da Lousã e os seus vizinhos Penedos de Góis, locais de beleza única e humanizados com as suas bonitas aldeias onde predomina o xisto ou o quartzito.
Acompanharam-me nesta aventura, o Nuno Maia, Vasco Soares, Pedro Roxo e Rui Salgueiro, aqui da cidade e o Zé Castro e Pedro Silva, que vieram do Porto.
O local de encontro estava marcado para as 08h00 na aldeia de Coentral Grande, onde seria dada a partida.
A malta de Castelo Branco juntou-se pelas 06h00 nas bombas de combustível sitas junto à Avenida de Zuhai e foi aí que tomamos o cafezinho e a primeira dose de cafeína.
A partida para os trilhos foi dada já próximo das 09h00 e logo para a malta despertar, começamos por uma bela trialeira em calçada romana a ladear a bonita Ribeira de Pena.
Subimos ao Coentral da Barreira, e que bem que lhe puseram o nome, pois para chegar ao alto foi com um bom arfar que conquistámos a primeira subida do dia.
Chegámos à Catraia da Ti Joaquina, local onde antigamente ficavam alojadas as pessoas que amanhavam a terra e onde também funcionava um entreposto comercial onde as ovelhas eram tosquiadas. 
A rapaziada ia ainda a tremer do arfanço da dura subida e do friozinho que ainda se fazia sentir, que quase nem reparou naquelas bonitas ruínas.
Depois da passagem por um par de belos trilhos entre carvalhos e pinheiro bravo, descemos  ao Casal Novo, uma aldeia quase despovoada, mergulhada numa densa mancha florestal, deslizando encosta abaixo, o que torna a sua presença quase impercetível.
Depois de uma breve visita. seguimos para o Talasnal, outra aldeia cheia de carisma e pormenores, que fazem esquecer o tempo a passar.
Aqui fizemos uma passagem pouco mais demorada, com visita ao castiço restaurante da Ti Lena, onde não conseguimos lanchar, por estar muito lotado para almoço e degustamos um alcoólico licor de castanha, numa das suas pitorescas tasquinhas.
Abandonámos a aldeia pela sua estradinha agora alcatroada e um par de kms mais à frente, fletimos à esquerda e descemos ao Vaqueirinho, outra das aldeias tradicionais da Serra da Lousã e também ela com um encanto muito especial, com o seu castiço largo principal e a velha tasca do "fim do mundo" agora já fechada e abandonada.
Saímos desta aldeia e por um belíssimo single track todo ele cheio de encanto e a puxar pela adrenalina fomos até ao Catarredor, aldeia também conhecida como dos "hippies" à semelhança do Vaqueirinho.
Tem uma única rua de escadaria ingreme, por onde subimos. Integrada numa zona paisagística onde predominam os miradouros naturais é um local de grande beleza natural e com um especial encanto.
A ligação desta aldeia ao Candal, foi também feito na sua maioria por um fantástico single track com uma envolvente paisagística de beleza ímpar.
Chegámos ao Candal, o nosso reconfortante porto de abrigo, onde descansámos um pouco e comemos algo mais sólido na esplanada da lojinha, aninhada junto à ribeira do mesmo nome, onde retemperamos forças para a etapa seguinte que nos levaria ao Trevim.
Baixamos um pouco pela estrada que segue para a Lousã e fletimos depois à direita para uma dura subida até à aldeia de Cerdeira. Um local onde não há dissonâncias, apenas o som da tranquilidade.
Mas para nós, essa tranquilidade transformou-se pouco depois em esforço e suor, ao subirmos a ingreme ladeira, num percurso pedonal, ao estradão que segue para o parque eólico de Vilarinho.
Pedalar por ali em sentido ascendente era impossível e foi sempre a empurrar a dita, que chegámos ao estradão, suados e extenuados, mas felizes pela envolvência paisagística, pelos trilhos já pedalados, aldeias visitadas e pela ansiedade do que ainda nos esperava.
Chegámos ao parque de Vilarinho ainda a tempo de ver a descida da ultima tranche da prova "Avalanche", subindo depois ao Trevim pela parte da pista por onde tinham descido os atletas.
O Pedro Silva deixou-se entretanto apanhar pelo "homem da marreta" e vinha um pouco mais lento, mas sempre com uma garra invejável, sem um queixume ou uma daquelas desculpas da treta, dos atletas de algibeira que por ai pululam pelas freguesias. Amigo Pedro . . . és cá dos meus!!! Não importa quando se chega, o que importa é chegar. E chegámos!!! Todos o que é importante e com aquele espírito que caracteriza os verdadeiros, os puros, os aventureiros!
Seguiu-se a descida para a Aigra Nova, onde experimentámos o afetuoso cumprimento e afável acolhimento dos habitantes da aldeia.
Era dia de festa e ali decorriam alguns festejos com acompanhamento musical e bailarico.
Logo fomos convidados para a festa e para nos integrarmos no bailarico. Alguns companheiros ainda esboçaram uns movimentos corporais. Houvesse tempo e de certeza que seria uma festa.
Mas já estávamos com algum atraso e a progressão era um pouco lenta, pelo que não tivemos outra opção, que não continuar o nosso percurso.
Passámos logo a seguir pela aldeia da Comareira, mas já não parámos.
A nossa visão era agora enriquecida com a deslumbrante visão dos impressionantes Penedos de Góis, mesmo à nossa frente, enquanto descíamos à bonita aldeia da Pena, abrigada junto aos Penedos, na margem esquerda da ribeira com o mesmo nome, e a parecer desafiar a imponência do escarpado que se eleva na outra margem.
Passámos a ribeira e seguimos por asfalto até à próxima aldeia, Vale Torto, perdida no meio da serra, num pequeno planalto na encosta do imponente Penedo de Gois.
Saír dali não foi lá muito fácil, pois a subida era bem inclinadinha, valeu-nos ser em asfalto.
Por uma estradinha a rasgar locais inóspitos, chegámos ao estradão que segue na vertical para o VG do Lapão.
Foi aqui que a rapaziada resmungou um bocadinho, mas tive que fazer esta alteração derivado ao adiantado da hora e à lenta progressão. Eu sei que era a única alternativa para chegarmos bem às viaturas, pois por asfalto seriam ainda 40 kms e com esta cortada no track, apenas 12 kms. Encurtei assim 5 kms ao percurso inicialmente marcado.
Empurrando as biclas, ou pedalando aos "bochechos" lá fomos vencendo aquela terrível ascensão. Estas aventuras são quase sempre para rapaziada de pêlo na venta, por isso a coisa vai-se auto selecionando. O resto são apenas historietas de alfarrábio.
Chegámos finalmente à pista de aviação de Santo António da Neve, já no ocaso do dia, dificultado um pouco com a neblina que começava a cair no cume da montanha.
Faltava apenas descer ao ponto de partida por uma trialeira a rasgar a encosta, mas muito maltratada pelas águas das últimas chuvadas. 
Não era o que esperava, nem era hora para criar alternativa, pelo que tivemos mesmo que descer por ali.
Chegámos ás viaturas já de noite e guiados pela ténue luz que emanava da bike do Pedro Silva.
Apesar de alguns contratempos, que os há sempre. Umas vezes mais, outras vezes menos!
O que é fato é que estes passeios são sempre uma aventura e só refila quem não gosta de verdadeira aventura, por isso, quem gosta de tudo à medida, a opção é mudar de alfaiate!
Contas feitas, foram 55 kms de aventura pelos trilhos da Serra da Lousã e Penedos de Góis, na companhia dum fantástico lote de amigos, onde a adrenalina, a amizade e o companheirismo, foram mais uma vez o grande protagonista deste passeio.
Depois das despedidas da praxe, o Zé Castro e o Pedro Silva seguiram para o Porto, via Lousã e nós regressámos à cidade, com uma pequena paragem numa aldeia antes de Castanheira de Pera, para aconchegar o corpinho com uma sandes e uma bjeca.
No próximo mês de Novembro, logo que o tempo o permita, a carismática "Sierra de Gata", com as suas calçadas romanas, trialeiras e coloridas matas de castanheiros, já quase despidas pelo outono, esperam-nos.
Até lá!
 
Fiquem bem.
Vêmo-nos nos trilhos, ou fora deles.
AC


Vídeo:
 

1 comentário:

João L. disse...

Caro AC,

Já há algum tempo que ando para deixar aqui este comentário. Aliás, se bem me lembro (como diria o Nemésio), já há cerca de uma ano fizeram um percurso aqui pela Lousã e, logo na altura, pensei em fazer este comentário.
A questão é a seguinte: quando desceram pela N236 do Candal em direcção à Lousã, cerca de 1-2 km abaixo, voltaram à direita em direcção à Cerdeira (uma bela de uma subida !). O problema é que, como constataram, não há saída ciclável da Cerdeira. Isto deve-se a um erro num track que foi colocado há muito tempo na net.
A minha sugestão é a seguinte: do mesmo modo, descem do Candal pela N236, passam pelo cruzamento ad Cerdeira e seguem cerca de 1-2 Km mais para baixo onde vão encontrar à direita um estradão de terra sinalizado com uma placa indicando "S. Lourenço". Daqui, começam a subir cerca de 20 min até um cruzamento e depois em frente até um local chamado Barraca Preta onde, iniciam a subida até ao parque eólico por cima da Cerdeira (cabeço da Ortiga) já com vistas para o Trevim.
Caso tenha interesse veja o track no endereço:
https://drive.google.com/file/d/0Bw1VftPX6jQNbEdNaXhtSFVOWTg/view?usp=sharing

Eu venho de baixo, da Lousã, a subir e corto à esquerda para S. Lourenço. Não chego às eólicas (mas ainda faço um pequeno percurso nessa direcção que se nota muito bem no track GPX) porque resolvi voltar atrás e seguir para outro lado.

Boas pedaladas

João L.